<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853</id><updated>2011-11-15T11:54:53.634-01:00</updated><title type='text'>"A minha pátria é a língua portuguesa"</title><subtitle type='html'>Análise do quotidiano. Em português.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>70</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-8942057714489597562</id><published>2008-07-07T08:44:00.002Z</published><updated>2008-07-07T08:46:42.336Z</updated><title type='text'>Eu, Carolina... Almeida</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O nosso nome próprio é um rótulo que carregamos toda a vida e cuja responsabilidade nos é totalmente alheia. Do bom senso dos nossos pais quando nos atribuem um nome depende se seremos gozados ou não na primária pela certeira crueldade infantil, depende aquilo que sentimos quando nos chamam na rua, ouvimos o nosso nome dito em voz alta perante uma plateia ou vemo-lo escrito em algum lado. Dar um nome a uma criança é criar a uma evocação que ultrapassa a sua própria existência. Mais do que razões para pensar cuidadosamente, se bem que, a julgar pelos exemplos que por aí se vêem, talvez 9 meses seja tempo demais para amadurecer tal decisão.&lt;br /&gt;Eu pessoalmente não tenho motivos de queixa. Apesar do meu nome próprio completo ser Ana Carolina e de achar que as pessoas só deviam ter um nome, porque mais do que um cria crises de identidade (eu por exemplo já fui chamada de Ana, Carolina e Ana Carolina), sempre que ouço nomes como Sara Jéssica ou Cátia Vanessa abençoo mentalmente os meus pais. Para que conste, o nome Carolina é o que me é mais querido, porque sempre foi assim que os mais chegados me chamaram. Chegou a dar-se a situação de ligarem para minha casa e perguntarem pela “Ana” sendo a resposta “Aqui não mora nenhuma Ana”.&lt;br /&gt;Eu gosto do meu nome. Sinto-me bem nele. Se daqui a muitos anos alguém abrir um livro que tenha sido meu e ler “Carolina Almeida, Agosto de 2006” e pensar “Quem seria?” o que restar de mim vai estar a sorrir.&lt;br /&gt;Daí que acho hilariante que não o saibam escrever correctamente. Já fui duas vezes jogar bowling com os meus amigos e fomos atendidos pelo mesmo empregado que, das duas vezes, conseguiu a proeza de escrever errado o meu nome de duas maneiras diferentes. Tendo em conta que Carolina é um nome com 8 letras é uma proeza notável. Da primeira vez, fui brindada com o nome “Coralina”. Na segunda, “Carilina”.&lt;br /&gt;Um ponto que é preciso aqui ressalvar é que não fui eu que lhe transmiti o meu nome, mas sim um amigo meu do continente e portanto a desculpa da pronuncia não pega. Assim, sempre que é a minha vez de jogar, fico com um certo prurido ao ver o meu nome mal escrito no ecrã. O que também tem piada nessa situação é imaginar o diminutivo. Em vez do usual Carol, seria “Coral” (vá lá, ainda passava…) ou “Caril”.&lt;br /&gt;Sempre que o dito jovem vai mandar uma bola que mais parece um canhão enquanto eu me esforço para que a minha mantenha uma trajectória rectilínea, fico a pensar no benefício pedagógico que seria obrigá-lo a escrever 5 vezes uma palavra que tivesse escrito errado, tal como o meu professor de História do 7º ano fazia, para nos obrigar a evitar erros ortográficos.&lt;br /&gt;A verdade é que fico dividida entre a pena e a perversidade. Pena porque se o corrijo os meus amigos quase vão explodir de riso reprimido. Perversidade porque quero ver como ele escreve da próxima vez. A minha aposta vai para “Carrolina”, erro vagamente comum. Quando ouço aquele arranhar estranho no meu nome dá-me uns arrepios pela espinha acima como se raspassem a minha própria alma.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-8942057714489597562?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/8942057714489597562/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=8942057714489597562' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/8942057714489597562'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/8942057714489597562'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2008/07/eu-carolina-almeida.html' title='Eu, Carolina... Almeida'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-6326841933046375103</id><published>2008-06-06T23:42:00.001Z</published><updated>2008-06-07T08:39:26.590Z</updated><title type='text'>Manual de Sobrevivência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;Ou dicas úteis para manter a sanidade mental durante as épocas de exame:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Ter sempre em casa um stock apreciável de café,&lt;em&gt; cappuccino&lt;/em&gt;, chá preto e chá verde. São bebidas com dupla funcionalidade: condicionam um momento de pausa potenciando o estudo nas horas seguintes;&lt;br /&gt;2) Não traçar objectivos megalómanos que servem apenas para nos preocupar com a lentidão do nosso trabalho;&lt;br /&gt;3) Ter a noção que se numa noite se estuda até às 2 da manhã no outro dia é impossível levantar da cama antes das 11;&lt;br /&gt;4) Ver ou ler as notícias. Não vá dar-se o caso de ter começado um conflito armado e estarmos completamente fora do assunto. Serve igualmente para relativizar os nossos pequenos dramas, que de outro modo assumem contornos de catástrofe à escala mundial;&lt;br /&gt;5) Acumular o vidro para levar para o eco-ponto. Atirar com o vidro da reciclagem nos contentores é um escape de pressão socialmente aceitável e altamente eficaz;&lt;br /&gt;6) Arranjar alguém com quem deprimir e ter a conversa: “mas-porque-é-que-eu-não-fui-para-engenharia-das-florestas?”;&lt;br /&gt;7) Arranjar alguém que tenha um optimismo à prova de bala;&lt;br /&gt;8) Rir, rir muito: de nós próprios, dos nossos professores, daquilo que dizemos, daquilo que os outros dizem. Enquanto rimos não choramos;&lt;br /&gt;9) Ter um livro para ler antes de dormir, de preferência um que já tenha sido lido, não vá dar-se o caso de nos entusiasmarmos com ele. Ir directamente da secretária para a cama é meio caminho andado para sonhar com um chumbo;&lt;br /&gt;10) Sair para ver gente: estar todo o dia enfiado entre quatro paredes como uma fera enjaulada é desgastante;&lt;br /&gt;11) Ter sempre à mão uns cd’s de boa música para o caso de haver ruído. Nunca esquecer que o nosso barulho é sempre melhor que o dos outros;&lt;br /&gt;12) Ter fé nas revisões desesperadas do dia antes: aprende-se muito sobre pressão;&lt;br /&gt;13) Ouvir música animada antes do exame. Põe-nos bem dispostos e confiantes;&lt;br /&gt;14) Cumprir rituais supersticiosos: escrever a esferográfica com que se fez apontamentos, não arquivar apontamentos antes que saia a nota;&lt;br /&gt;15) Nunca esquecer que a matéria abrangida num exame é como um átomo: sabemos onde está o núcleo e a maior densidade dos electrões. A posição do último electrão é impossível de determinar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-6326841933046375103?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/6326841933046375103/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=6326841933046375103' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/6326841933046375103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/6326841933046375103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2008/06/manual-de-sobrevivncia.html' title='Manual de Sobrevivência'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-1924961415222584867</id><published>2008-05-23T19:24:00.002Z</published><updated>2008-05-23T21:47:50.368Z</updated><title type='text'>Histórias do Possível - A solidão</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando me abriste a porta e ao entrar me envolveu o cheiro quente do chocolate, senti-me um intruso.&lt;br /&gt;Era um sábado cinzento, frio e ventoso que eu tinha parcialmente gasto em zappings sem sentido. Dispus-me a sair de casa enojado com a minha apatia, para provar a mim próprio que tinha o que fazer e para onde ir. Vesti um casaco, peguei numa pasta com relatórios e num saco com roupa para deixar na lavandaria. Não sabia se estavas em casa; não me ocorreu ligar-te nem me lembrei da inconveniência de aparecer sem avisar.&lt;br /&gt;Ao abrires a porta e dares comigo rosado do frio e com as golas levantadas suspeito que um relâmpago de surpresa passou nos teus olhos, mas à distância de uns dias penso ser vaidade minha julgar-me responsável pelo brilho escuro deles. Recebeste-me com a simpatia de quem espera continuamente uma visita.&lt;br /&gt;- Olá! Entra depressa que está frio.&lt;br /&gt;Inclinei-me para te cumprimentar e senti o cheiro do chocolate na tua pele macia do calor aconchegante da casa. Inventei à pressa uma desculpa esfarrapada que eu próprio não entendi. Qualquer coisa como:&lt;br /&gt;- Olha desculpa aparecer sem avisar mas vinha para estes lados e resolvi parar para te deixar os documentos de que falamos…&lt;br /&gt;- Documentos…?&lt;br /&gt;- Sim… aqueles relatórios para a apresentação…&lt;br /&gt;- Ahh… pois… claro… já nem me lembrava.&lt;br /&gt;Senti-me o pior idiota que alguma vez pisou a Terra. Mas o bolo de chocolate que tinhas acabado de tirar do forno salvou o dia. Era pequenino, típico de uma pessoa que vive sozinha. Levaste-me para a sala e, enquanto eu olhava fascinado para as tuas estantes desorganizadas de uma maneira que parecia fazer sentido, foste preparar dois &lt;em&gt;cappuccinos&lt;/em&gt; e duas fatias de bolo. Nas estantes os livros da adolescente romântica que deves ter sido conviviam pacificamente com grandes clássicos, histórias de aeroporto, fantasia e best sellers contemporâneos. Anne Rice e Lev Tolstói. Jane Austen e Dan Brown. Platão e Paulo Coelho. Havia também colecções dispersas de rochas, velas, fotografias, cd’s e pequenas lembranças artesanais de viagens. Um caos coerente que condizia com a tua pessoa sofisticada no trabalho mas que veste roupa de desporto larga e deixa os pés descalços ao fim de semana.&lt;br /&gt;Foi uma sorte entrares na sala concentrada em não derramar as bebidas, caso contrário darias por mim a olhar fixamente para a tua fotografia em traje académico e com o sorriso resplandecente de quem tem algo que ninguém lhe pode roubar. Voltaste com o bolo e sentámo-nos no sofá para discutir os relatórios. O à vontade com que dobraste os joelhos por cima do sofá e juntaste as mãos à volta da caneca para lhe absorver o calor fez-me sentir alheio ao aconchego da casa. Ao comentar os relatórios tu ouvias e opinavas de forma pertinente entre golinhos de &lt;em&gt;cappuccino&lt;/em&gt; e pedaços de bolo. Sim o bolo… Era óptimo, sem dúvida. Leve, apesar de quente, nada enjoativo, o açúcar devia ter sido adicionado parcamente para não camuflar o travo subtil do chocolate. Eu queria pensar que estavas satisfeita por partilhá-lo mas não me conseguia abstrair do facto de ter imposto a minha companhia.&lt;br /&gt;Os relatórios ficaram esquecidos na mesa de apoio e a conversa derivou naturalmente para o tempo, para a música, para a política, para a literatura, para o cinema, para a família. Tópicos aparentemente não correlacionados mas que soubemos encadear perfeitamente na conversa que fluiu por horas.&lt;br /&gt;Passava das oito quando qualquer coisa em mim me lembrou que já eram horas de ir embora. Levantei-me com esse propósito. Tu protestaste, convidaste-me para jantar, chantageaste-me com o facto que detestavas comer sozinha. Fui firme ao desculpar-me com um compromisso marcado, negando a mim mesmo aquilo que ansiava. Cedeste, mas não antes de te certificares que o jantar ficaria para um futuro próximo. Emprestaste-me uns livros e acompanhaste-me à porta resmungando risonhamente contra a conversa interrompida. Um último beijinho e o resquício de um perfume. Adeus e bom fim-de-semana.&lt;br /&gt;Ao entrar no carro, aspirei o perfume ordinário do ambientador e lembrei-me do meu apartamento vazio. Senti-me mais só.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-1924961415222584867?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/1924961415222584867/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=1924961415222584867' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/1924961415222584867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/1924961415222584867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2008/05/histrias-do-possvel-solido.html' title='Histórias do Possível - A solidão'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-1227119643961337365</id><published>2008-04-26T11:21:00.001Z</published><updated>2008-04-26T11:21:45.841Z</updated><title type='text'>As pessoas que pensam são perigosas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;        A memória é uma coisa curiosa. Ao procurar uma comparação que enriquecesse estas palavras, conclui que a memória é como a maré que devolve à praia maravilhas insuspeitas sob a forma de conchas e búzios, seixos rolados pelo tempo, madeiras de naufrágios passados e garrafas que preservam palavras há muito esquecidas.&lt;br /&gt;        Há dias, sem que nada o desencadeasse, lembrei-me de uma história que paira incerta entre os meus 6 e 9 anos. Foi-me contada pela minha professora da primária e, segundo os meus cálculos, refere-se a uma situação passada há 50 ou 60 anos.&lt;br /&gt;        Imaginemos uma criança que entra em conflito com os irmãos mais velhos. Essa criança é a minha professora. Como retaliação de uma travessura de que foi vítima, ela repete a viva voz um insulto aos irmãos. Estes, incomodados pela relativa dose de verdade ou pela insistência do insulto, mandam-na parar, sob ameaça de umas valentes palmadas.&lt;br /&gt;        Lembro-me que a minha professora contou a frase com que invectivava os irmãos, mas não consigo recordar qual era. O que recordo claramente, porque me revelou uma verdade que anos mais tarde consciencializei, foi o que respondeu à ameaça:&lt;br /&gt;        - Podem obrigar-me a calar mas vou continuar a dizer para dentro.&lt;br /&gt;        Tamanho atrevimento custou-lhe mesmo umas palmadas.&lt;br /&gt;        A verdade que mais tarde descobri, e que a minha professora usou por instinto, foi que nenhum pensamento pode ser silenciado pela coação física. Porque o pensamento não é feito da mesma matéria que a carne e como tal não sofre como ela. A voz interior, quando sabe que tem razão, é persistente. E por muito que as palavras o neguem, a Terra continua a girar em torno do Sol.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-1227119643961337365?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/1227119643961337365/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=1227119643961337365' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/1227119643961337365'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/1227119643961337365'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2008/04/as-pessoas-que-pensam-so-perigosas.html' title='As pessoas que pensam são perigosas'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-5673973049324758279</id><published>2008-04-25T20:28:00.002Z</published><updated>2008-04-25T20:33:19.586Z</updated><title type='text'>Liberdade</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nos meus cadernos de aluno&lt;br /&gt;Na minha carteira e nas árvores&lt;br /&gt;Nos areais e na neve&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em todas as páginas lidas&lt;br /&gt;Em todas as páginas brancas&lt;br /&gt;Pedra sangue papel cinza&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sobre as imagens douradas&lt;br /&gt;Nos estandartes guerreiros&lt;br /&gt;Tal como na coroa dos reis&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nas selvas e no deserto&lt;br /&gt;Nos ninhos e nas giestas&lt;br /&gt;No eco da minha infância&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nas maravilhas das noites&lt;br /&gt;No pão branco dos dias&lt;br /&gt;Nas estações enlaçadas&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nos meus farrapos de azul&lt;br /&gt;No pântano sol alterado&lt;br /&gt;No lago luar vivente&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nos campos do horizonte&lt;br /&gt;Sobre umas asas de pássaro&lt;br /&gt;Sobre o moinho das sombras&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em cada sopro de aurora&lt;br /&gt;Na água do mar e nos barcos&lt;br /&gt;Na serrania demente&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na clara espuma das nuvens&lt;br /&gt;Nos suores da tempestade&lt;br /&gt;Na chuva insípida e espessa&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nas formas resplandecentes&lt;br /&gt;Nos sinos de muitas cores&lt;br /&gt;Sobre a verdade da física&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nas veredas bem despertas&lt;br /&gt;Nos caminhos descerrados&lt;br /&gt;Nas praças que se extravasam&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na lâmpada que se alumia&lt;br /&gt;Na lâmpada que se apaga&lt;br /&gt;Nas minhas casas unidas&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No fruto partido em dois&lt;br /&gt;do meu espelho e do meu quarto&lt;br /&gt;Na cama concha vazia&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;No meu cão guloso e meigo&lt;br /&gt;Nas suas orelhas erguidas&lt;br /&gt;Na sua pata sem jeito&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na soleira desta porta&lt;br /&gt;Nas coisas familiares&lt;br /&gt;Na língua de puro fogo&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em toda a carne que tive&lt;br /&gt;Na fronte dos meus amigos&lt;br /&gt;Em cada mão que se estende&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na vidraça das surpresas&lt;br /&gt;Nos lábios que estão atentos&lt;br /&gt;Muito acima do silêncio&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Nos meus refúgios desfeitos&lt;br /&gt;Nos meus faróis aluídos&lt;br /&gt;Nas paredes do meu tédio&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na ausência sem desejo&lt;br /&gt;Na solidão despojada&lt;br /&gt;Na escadaria da morte&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sobre a saúde refeita&lt;br /&gt;Sobre o perigo dissipado&lt;br /&gt;Sobre a esperança esquecida&lt;br /&gt;Escrevo o teu nome&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;E pelo poder da palavra&lt;br /&gt;Recomeço a minha vida&lt;br /&gt;Nasci para te conhecer&lt;br /&gt;Nasci para te nomear&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Liberdade&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Poema de Paul Éluard&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-5673973049324758279?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/5673973049324758279/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=5673973049324758279' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/5673973049324758279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/5673973049324758279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2008/04/liberdade.html' title='Liberdade'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-9208516210562463895</id><published>2008-02-10T17:19:00.000-01:00</published><updated>2008-02-10T17:27:38.504-01:00</updated><title type='text'>Quadro</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;        Pinta-me um quadro. Pinta-mo com palavras, mistura-as numa paleta e vai pincelando a minha imaginação. Porque aquilo que os olhos não vêem, a alma nostálgica sabe evocar.&lt;br /&gt;        Conta-me como de um janela aberta sobre o mar se sentia no vento a promessa da tempestade. Que o vento arrepiava a espuma e batia as ondas crescentes contra a rocha, roubando-lhe areias de outras épocas. Consigo ouvir o grasnar agoirento das gaivotas a planar em círculos indecisos, sob nuvens carregadas, que paulatinamente se dissolvem em chuva gelada.&lt;br /&gt;        Eu sei que fechaste tudo a sete chaves e mesmo assim se ouvia o assobiar do vento na janela e o martelar insistente da chuva. É pena que a janela seja nova e vede tão bem. É pena porque assim a cortina do meu quarto não ondula fantasmagoricamente.&lt;br /&gt;        Agora conta-me como nessa noite choveu um dilúvio, levantou-se um vendaval e trovejava apocalipticamente. Eu conheço essa violência, conheço-a e desejo-a porque embala os meus sonhos e sossega a minha alma de atlante. Depois de uma noite assim, acordaria com a chuva em decrescendo e a tarde seria límpida e pura, com sol radiante e vento, uma antítese caprichosa da noite. E esse sol doce de Inverno, tão precioso porque raro, seria o bálsamo calmo que mitiga a crueza da borrasca.&lt;br /&gt;        Conta-me, conta-me outra vez como foi, porque aqui onde todos os dias são luz clara eu quase esqueço a melancolia poética de um céu carregado.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-9208516210562463895?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/9208516210562463895/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=9208516210562463895' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/9208516210562463895'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/9208516210562463895'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2008/02/quadro.html' title='Quadro'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-2261884983973954574</id><published>2007-12-25T19:34:00.000-01:00</published><updated>2007-12-25T19:35:24.070-01:00</updated><title type='text'>Conto de Natal</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;       &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt; Encontrei há dias entre os meus papéis umas folhas manuscritas, que a humidade já torna imprecisas as palavras escritas na frente e no verso. A letra, reconheço-a como minha, apesar de ser muito diferente da actual. Trata-se de um conto de Natal que escrevi para um trabalho da escola quando tinha 12 anos. Decidi colocá-lo aqui, resistindo a todos os impulsos de alterar palavras ou riscar frases, como evocação do meu ego mais jovem e como recordação de uma pureza e inocência que deixei caídas algures enquanto crescia.  Foi esta também a maneira que encontrei de desejar um Feliz Natal a todos os que, de forma mais ou menos regular, dão aqui uma espreitadela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Há alguns anos atrás havia uma pequena aldeia que se situava a alguns quilómetros da cidade Bela-Vista. Na pequena aldeia, todos eram felizes: não havia pobres, o ódio, a inveja e o egoísmo não existiam e todos se davam bem uns com os outros. Eu tinha muito orgulho em viver lá. Nesta altura tinha 7 anos. Era uma criança e como todas as outras gostava do Natal. O Natal da minha terra era o mais lindo do mundo. Todos os anos, a 6 de Novembro, reuniam-se todos os adultos homens. Nessa reunião combinava-se quem seria, naquele ano, o Pai Natal que iria satisfazer os pedidos das vinte crianças da aldeia. No dia seguinte, os mais novos escreviam a sua carta com a letra mais bonita que tinham. Depois deixavam-na no ligar onde, todos os anos, se fazia a dita reunião. Assim o misterioso Pai Natal teria até o dia 24 de Dezembro para aceder aos caprichos dos petizes.&lt;br /&gt;        Pelo dia 8 de Dezembro, começavam os preparativos para o Natal. Todas as casas eram enfeitadas com azevinhos, laços, fitas e, claro, era obrigatório o pinheiro e o presépio.&lt;br /&gt;        Na véspera de Natal a azáfama reinava em toda a aldeia. Batiam-se os últimos bolos e preparavam-se as doces filhós. Depois às 9 horas todos os habitantes reuniam-se. Este ritual fazia com que se intensificassem os laços de amor e partilha que havia entre nós. Este era o verdadeiro sentido do Natal: o amor, a partilha, a amizade e a fraternidade. E assim, Jesus nascia no coração de cada um de nós de maneira especial.&lt;br /&gt;        Perto da meia-noite, dirigíamo-nos para a igreja. Lá louvávamos o nosso Deus, dávamos graças pelas suas maravilhas e comemorávamos o nascimento do Redentor.&lt;br /&gt;        Depois regressávamos a casa e íamo-nos deitar enquanto o Pai Natal distribuía as prendas. Lembro-me de uma vez ouvir passos na minha casa e fui espreitar. Era o Pai Natal que curiosamente era o meu pai. Fiquei muito orgulhosa mas guardei segredo pois era proibido saber quem era o Pai Natal.&lt;br /&gt;        No último dia do ano íamos à igreja agradecer mais um ano passado e pedíamos que os próximos fossem, pelo menos, iguais. Depois fazíamos uma fogueira e íamos para perto dela. Este ritual tinha uma razão muito simples: no último dia do ano à meia-noite passava sempre uma estrela cadente. Nós não sabíamos qual a sua origem, mas o certo é que pedíamos um desejo: que o ano novo fosse tão feliz como o que tinha passado.&lt;br /&gt;        Os anos foram passando sempre festejados com a mesma alegria e amor. Mas no ano em que festejei os meus 15 anos, a misteriosa estrela não passou e portanto não fizemos o pedido. A partir daí aconteceram coisas estranhas: as pessoas deixaram de se cumprimentar, morreram algumas pessoas sem que se conhecesse razão aparente e muitos dos habitantes passaram a odiar-se. Muitas famílias, entre elas a minha, partiram para a cidade Bela-Vista. No princípio pensei que seria bom. Pensamentos de adolescente…&lt;br /&gt;        Agora com os meus 45 anos (quando despontam os primeiros cabelos brancos) reconheço a asneira que fizemos. Nunca mais vi os meus vizinhos e o Natal nunca mais foi o que era. Aqui na cidade, o Pai Natal não desce pela chaminé, nem pelo elevador ou pelas escadas de incêndio dos prédios. As crianças não acreditam no Pai Natal e chateiam os pais para lhes comprarem os brinquedos da moda. O Natal deixou de ser a festa do amor e da partilha e passou a ser a festa do consumismo. O meu coração parte-se ao ver os mendigos a pedirem esmola aos que passam carregados de embrulhos. Agora tenho a certeza que Jesus não nasce no coração dessas pessoas. Agora Jesus, que devia ser o grande motivo do Natal, é substituído pelas prendas e pelo prazer de consumir. Tenho saudades da ceia de Natal, tenho saudades da estrela cadente, mas de tudo isso só me resta a memória&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-2261884983973954574?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/2261884983973954574/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=2261884983973954574' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/2261884983973954574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/2261884983973954574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/12/conto-de-natal.html' title='Conto de Natal'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-5317790264586670533</id><published>2007-12-13T23:30:00.000-01:00</published><updated>2007-12-13T23:31:43.881-01:00</updated><title type='text'>Palavras Pedras</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;        Quem cultiva o hábito de escrever conhece aquela necessidade urgente de gravar em palavras um pensamento que irrompe subitamente. Conhece a sensação de escrever febrilmente como quem se liberta de um peso opressivo, como se numa loucura nos tomasse e obrigasse a gravar para a eternidade um estado de espírito volúvel.&lt;br /&gt;         A escrita é uma catarse. A comunicação é uma forma de libertação poderosa. Mesmo aqueles exercícios de fermentação argumentativa, de defesa de opinião que escrevemos sem nenhuma espécie de pretensiosismo, são formas de comunicação connosco próprios. Num futuro mais ou menos próximo estaremos a ler o que se escreveu anteriormente e pensar o que poderia ser mais desenvolvido ou aquilo que organicamente se alterou em nós para analisarmos as questões sobre outros prismas.&lt;br /&gt;         O pensamento e a comunicação estão dependentes da palavra. Pensamos por palavras, falamos por palavras, escrevemos por palavras. A dificuldade consiste em tropeçamos nelas como se de pedras se tratassem. Porque não são suficientemente claras para aquilo que pretendemos transmitir ou porque aquilo que pensamos e, sobretudo, sentimos não encontra nelas perfeita tradução. O eu que pensa e sente está desconectado do eu que escreve como se fossem duas entidades distintas.&lt;br /&gt;         Existem textos que saem límpidos, fluidos, que nos surgem quase que por magia no espírito em momentos de abstracção. As palavras bailam à nossa frente e basta dispô-las coerentemente. Outras vezes, são textos mil vezes escritos e reescritos, numa busca obsessiva daquilo que julgamos ser a perfeição. A frustração é enorme: sente-se uma necessidade urgente de comunicação, mas as palavras aprisionam-nos. Daqui resultam textos sofridos, que levam muito tempo até tomarem a forma pretendida, ou textos incompletos, insuficientes e mal desenvolvidos.&lt;br /&gt;          Contudo, apesar da mediocridade, a comunicação é uma necessidade tão básica, que devemos libertar as palavras que nos pesam. Gritá-las ao vento, desenhá-las efemeramente na areia, sussurrá-las baixinho ou escrevê-las numa folha que se rasga ou esconde no fundo de uma gaveta.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-5317790264586670533?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/5317790264586670533/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=5317790264586670533' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/5317790264586670533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/5317790264586670533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/12/palavras-pedras.html' title='Palavras Pedras'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-4891899822737174847</id><published>2007-12-06T18:33:00.000-01:00</published><updated>2007-12-06T18:35:43.090-01:00</updated><title type='text'>Trópicos de Personalidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O internamento num hospital tende inexoravelmente à anulação do indivíduo como tal. Uma pessoa internada não é a senhora Maria nem o senhor Manuel. Existe uma tendência desagradavelmente comum em considerar as pessoas como casos ou como a cama 16 ou 20. Tudo se torna tão cinzento, ordinário e indistinto como se as pessoas não tivessem uma vida própria e uma personalidade marcadamente sua. São abordados quase como um livro de estudo que se lê, relê, sublinha a marcadores fluorescentes, cola post-its e rabisca apontamentos à margem.&lt;br /&gt;Daí que tenha ficado agradavelmente surpreendida hoje quando vi na mesa-de-cabeceira de um doente o livro &lt;em&gt;Equador&lt;/em&gt; de Miguel Sousa Tavares. Em primeiro lugar porque também já li o livro, gostei e não considero, de todo, que seja literatura de aeroporto, como supostamente já foi classificado…&lt;br /&gt;Por outro lado, aquele livro revela um colorido de personalidade que se destaca. Uma afirmação do ego. Uma recusa em ser rotulado e indistinguível.&lt;br /&gt;Num quarto em que tudo é impessoal, em que não há nada de notável e que é partilhado por mais dois doentes, o &lt;em&gt;Equador&lt;/em&gt; fazia a diferença entre estar sozinho a meditar na sua e na desgraça alheia e viver bocadinhos da vida que outros imaginaram. Fazia a diferença entre o cinzento monótono e o sol brilhante e abrasador dos trópicos.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-4891899822737174847?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/4891899822737174847/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=4891899822737174847' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/4891899822737174847'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/4891899822737174847'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/12/trpicos-de-personalidade.html' title='Trópicos de Personalidade'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-719944744403821587</id><published>2007-11-25T22:41:00.000-01:00</published><updated>2007-11-25T22:44:45.298-01:00</updated><title type='text'>A minha vida é também papel</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;i style=""&gt;“No princípio, era o verbo, e eu lia tudo: «Não há talvez dias da nossa infância que tenhamos tão intensamente vivido como aqueles que julgámos passar sem tê-los vivido, aqueles que passámos com um livro preferido» (Proust). Não esqueço essas horas, nem dou por inconvenientes a desordem, o acaso e a liberdade com que li o que li, porque, sem saber, assim me preparei para o inesperado do mundo. Hoje, que vejo gente a ler com tanta avareza e tanto cálculo, como se a vida fosse uma disciplina de um curso, lembro-me desses dias e dessas noites de papel, em que era feliz por trocar tudo por um livro que tinha debaixo dos olhos ávidos e cansados.” &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: right; text-indent: 35.4pt;" align="right"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;José Manuel dos Santos&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Uma das experiências mais interessantes de um leitor é ver transcrita para o papel uma ideia que já lhe tinha cruzado os pensamentos ou mesmo uma que germinava incógnita no mais profundo de si. O leitor lê e pensa: “é isso mesmo”. Nesse momento, esse diálogo mudo que existe apenas na mente de quem lê estabelece uma ligação de cumplicidade. É a palavra escrita, o suporte físico do pensamento abstracto, o veículo de comunicações de outra forma impossíveis, ecos do passado, sombras indefinidas do futuro e crónicas do que nunca há-de ser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;  &lt;/div&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-indent: 35.4pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:14;"  &gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;font-size:100%;"&gt;Os livros vivem, e a sua vinda prolonga-se mais por cada alma humana que engrandecem. Respiram de cada vez que uma mão lhes folheia as páginas que faltam até ao fim. Sussurram segredos. E como cada vida humana carregam uma história a ser desvendada pacientemente, impossível de dissecar numa primeira abordagem e que ao fim de muito tempo ainda nos pode surpreender.&lt;/span&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-719944744403821587?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/719944744403821587/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=719944744403821587' title='15 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/719944744403821587'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/719944744403821587'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/11/minha-vida-tambm-papel.html' title='A minha vida é também papel'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-2215735009361410390</id><published>2007-11-01T17:37:00.000-01:00</published><updated>2007-11-01T17:40:26.370-01:00</updated><title type='text'>Quando o Homem quer ou o Lucro exige</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O tempo voa, toda a gente se queixa do mesmo. O stress, praga da vida quotidiana, tornou-se tão imprescindível, tão necessário como o café de todos os dias, que os poucos que dele não sofrem são frequentemente olhados de lado, por aparentemente viverem de modo preguiçoso e indolente. Que o tempo pareça pouco para tudo o que se deseja fazer num dia: dedicação ao trabalho, à família e a nós próprios, isso é banal. O tempo não é vivido, de modo que é difícil perceber se passa por nós ou se somos nós que passamos por ele.&lt;br /&gt;O que é absurdo é apressar o que por natureza é apressado. Qual não foi o meu espanto quando no fim-de-semana passado entrei num centro comercial e o vi decorado para o Natal, quando ainda faltam dois meses.&lt;br /&gt;Quem consegue, ainda mantém o espírito de Natal impoluto: como a festa da família, a festa entre as festas. Já não o digo como puramente espiritual porque o materialismo está entranhado nas nossas vidas. Refiro-me ao facto de conseguirmos ver para além das prendas da praxe, o sentimento, o afecto por detrás delas. A alegria em dar um jantar de família, o cuidado amoroso com que se prepara o jantar da Consoada. Os dias preguiçosos em que se fica em casa a ouvir música festiva e o vento a uivar na janela.&lt;br /&gt;Apelar ao Natal com dois meses de antecedência é rebaixá-lo ao puro espírito consumista. Perde-se o verdadeiro sentido. Não encaixa, não faz sentido. É como comer um fruto fora da estação e perceber que é de estufa. É forçado. As coisas fazem-se por analogias, por compatibilidades: para mim só faz sentido comer castanhas assadas na rua se fizer frio. Só faz sentido ir à praia quando acabam os exames. Só faz sentido ir passear ao centro comercial se chove a cântaros. Só faz sentido ser Natal depois dos feriados de Dezembro.         Dizem, e é verdade, que o melhor das festas é esperar por elas. Os dias em si, passam depressa como tudo nesta vida e por isso prolongamos a festa ao ansiá-la. Mas, sejamos razoáveis, a véspera que faz a festa está a ser abusivamente alargada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-2215735009361410390?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/2215735009361410390/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=2215735009361410390' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/2215735009361410390'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/2215735009361410390'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/11/quando-o-homem-quer-ou-o-lucro-exige.html' title='Quando o Homem quer ou o Lucro exige'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-4017030372107878282</id><published>2007-10-21T10:58:00.000Z</published><updated>2007-10-21T10:59:51.303Z</updated><title type='text'>Fuga Apressada</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Aeroportos e estações de comboio: entre a correria desenfreada das chegadas e partidas existe outra agitação latente perceptível a quem se consegue distanciar de toda e qualquer emoção vivida em tais lugares. Quem não está mergulhado na melancolia da partida, egocentricamente envolvido na antecipada dor da saudade ou excitado pelo reencontro com os amados ausentes consegue adivinhar, ou pelo menos suspeitar, o que sentem ou outros.&lt;br /&gt;É este o exercício que proponho. Imaginemos uma estação de comboio como tantas outras. Uma luz vaga que ilumina a noite ligeiramente rósea e carregada. Várias linhas, um cheiro metalizado, um bar de aspecto um tudo-nada suspeito. De momento não está muita gente: um par de namorados que se beija como se não houvesse amanhã, um homem de meia idade e aspecto soturno que pensa no trabalho que lhe pesa na pasta e na consciência, um casal idoso um pouco atordoado e perdido, dois rapazes com mochilas grandes e o aspecto descuidado de quem já atravessou meia Europa. De todas estas personagens tipo, eis que surge uma que se destaca das restantes. Ninguém dá por ela e para ela o facto de os outros serem desconhecidos é reconfortante. Se a imaginarmos sem a maquilhagem abusiva, sem o nervosismo no passo e sem a inquietude com que olha à volta, podemos ver uma mulher ainda jovem, na casa dos 25 anos, a quem a vida já maltratou repetidas vezes. E digo a vida porque lhe desconheço os antecedentes e como tal resta-me canalizar as culpas para uma identidade indefinida.&lt;br /&gt;Mas o que ainda não foi dito é que esta mulher tem uma nódoa negra na maçã do rosto e um rasto de lágrimas ainda visível. Traz na mão um saco pequeno de roupa urgentemente empacotada. As mãos tremem-lhe quando abre a bolsa a tiracolo. Remexe e tira uma nota com que paga uma sandes. O empregado recebe o dinheiro e devolve-lhe o troco indiferente. Ela é apenas mais uma das tantas que por ali já passaram nas mesmas condições.&lt;br /&gt;Não come a sandes: devora-a. Entra nos lavabos onde atira água gelada ao rosto na esperança de apagar o que é óbvio. Uma voz impessoal anunciando a chegada do comboio põe-lhe um brilho ansioso no olhar. Embarca sem olhar para trás.&lt;br /&gt;Suspeitamos de que foge. Imaginamos a mão que lhe marcou o rosto e as lágrimas que chorou de raiva contra os outros e contra si própria. Mas o que podemos saber com toda a certeza é que esta mulher foge da própria vida que lhe tem sido tão negra como a noite em que agora mergulha dentro de um comboio para parte indefinida. Antes de fechar os olhos e encostar a cabeça ao vidro reza para que a estação terminal lhe traga um novo acto na sua própria tragicomédia.&lt;/span&gt;  &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-4017030372107878282?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/4017030372107878282/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=4017030372107878282' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/4017030372107878282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/4017030372107878282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/10/fuga-apressada.html' title='Fuga Apressada'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-126843094697280719</id><published>2007-10-02T21:45:00.000Z</published><updated>2007-10-02T21:50:17.367Z</updated><title type='text'>O Velho do Penedo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Imagine-se um dia de sol radioso, um céu azul que nenhuma nuvem mancha e uma negra andorinha que ocasionalmente rasga o ar. Imagine-se uma árvore frondosa que oferece sombra e um banco convidativo.&lt;br /&gt;Um homem velho está sentado, debruçado sobre uma fiel bengala, os olhos fechados. Passo e não sei se está acordado, se dorme ou se em sonolência vaga revive dias passados. Junto do velho não existe numa criança que lhe anime com a promessa da vida em renovação. Nem pombos que lhe debiquem as migalhas da solidão.&lt;br /&gt;O jardim chama-se Penedo da Saudade. Não consigo imaginar sítio mais apropriado para o velho remoer a memória de dias passados e a saudade daquilo que não viveu. Ponho-me a pensar na vida dele: se vive com os filhos, se tem netos, se é viúvo, que empregos teve, as loucuras da sua juventude, as namoradas que teve ou que gostava de ter tido, os hábitos, as manias.&lt;br /&gt;Pese o facto de o envelhecimento ser uma realidade inalienável da vida, a sociedade actual não se concilia com ela. Há horror a cada ruga. O natural passar dos anos é pseudo-mascarado por tratamentos de beleza ridículos. Cada idoso é visto como um peso insuportável. Financeiro e emocional. A sociedade esqueceu o respeito que as sociedades tribais devotam aos seus anciãos, como a fonte do saber de experiências feito.&lt;br /&gt;A solidão envenena-lhe os dias. Ele abre os olhos, sacode os fantasmas e levanta-se a custo. Encaminha-se para casa? Espera-lo-á em algo mais que uma televisão, ópio dos sós? Anda devagar, concentrando-se em cada passo. E apesar do passo magoado, ele seria bem feliz se apenas lhe doessem as articulações. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt; &lt;/div&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Texto dedicado a Joana Salgado por dar a ideia para o título e por me mandar reagir quando tenho as ideias enevoadas.&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-126843094697280719?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/126843094697280719/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=126843094697280719' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/126843094697280719'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/126843094697280719'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/10/imagine-se-um-dia-de-sol-radioso-um-cu.html' title='O Velho do Penedo'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-1726626015028426610</id><published>2007-09-24T21:14:00.000Z</published><updated>2007-09-24T21:15:29.734Z</updated><title type='text'>"Quando penso no mar, o mar regressa"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Não é impunemente que se nasce ilhéu. Vive-se para sempre escravo de uma ilusão de óptica que impõe fronteiras confortáveis ao nosso mundo. A perfeita fusão entre mar e céu, os tons de azul indefiníveis, o contorno impreciso e a própria inexistência física do horizonte fazem dele fonte de sentimentos ambíguos e quase antagónicos.&lt;br /&gt;Se a frustração pela limitação geográfica que o próprio conceito de ilha encerra já pode ser mais facilmente mitigada, o mesmo não se poderá dizer do fascínio que o horizonte evoca.  Em cada janela panorâmica procura-se a promessa da liberdade mais ampla, mais perfeita, mais impoluta. Não necessariamente uma fuga, mas o sentimento de paz interior decorrente da noção de infinito.&lt;br /&gt;O ilhéu entende o mar como parte de si próprio. Revê-se no seu temperamento mutável, da doce serenidade à violência das tempestades, sente a sincronia entre o bater do seu coração e a respiração marítima, sabe como moldar pacientemente a rocha e compreende a inevitabilidade de morrer e renascer como as ondas da praia.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-1726626015028426610?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/1726626015028426610/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=1726626015028426610' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/1726626015028426610'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/1726626015028426610'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/09/quando-penso-no-mar-o-mar-regressa.html' title='&quot;Quando penso no mar, o mar regressa&quot;'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-4100987455774139339</id><published>2007-09-08T22:47:00.000Z</published><updated>2007-09-09T10:44:38.040Z</updated><title type='text'>O Caso do Peluche Cor-de-Rosa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O nome atribuído a este post bem podia ser o título de um policial ou, mais provavelmente, de uma novela. Isto porque o desaparecimento de Madeleine McCann saiu da esfera dos dramáticos e infelizmente frequentes desaparecimentos de crianças para se transformar num obsessivo folhetim global, situação para a qual contribui sobremaneira os esforços dos pais, na demanda desesperada pela filha desaparecida.&lt;br /&gt;Foi posta em marcha uma campanha sem par. Saltando de país em país, até ao Vaticano chegaram os ecos do lamentável desaparecimento da Praia da Luz, para que um esforço ecuménico entre as duas Igrejas operasse o milagre de devolver a menina à família. Os meios de comunicação social, tubarões que farejam a milhas o mais ténue e fugaz rasto de sangue, trataram de iniciar uma cobertura exaustiva de caso. Quem eram os pais, onde se conheceram, a bizarra arquitectura da casa de Robert Murat, os directos à porta de Gerry e Kate McCann repetindo pela enésima vez notícias que nada tinham de novo. Os cartazes com a fotografia de Maddie surgiram da noite para o dia por todo o lado. Os olhos inocentes, como não podem deixar de ser os olhos de uma criança, veiculavam uma fria censura a quem não demonstrasse mais do que o pesar pelo seu desaparecimento e não assistisse em directo à saída dos McCann da igreja.&lt;br /&gt;Com este caso, surgiram como cogumelos os Poirots de café e os Sherlock Holmes de esquina. Baseados em não sei qual obscuro e mal explicado pormenor ou especulação, cada qual diz de sua justiça. Creio que muito do interesse por este caso se deve à curiosidade geral pelo sórdido e pelo macabro. Até mesmo o repúdio pelos mais condenáveis actos se reveste de um fascínio enojado. Todos nós temos esta faceta que não gostamos de admitir: um lado negro, horripilante, violento e curioso por descobrir os limites do inominável. O modo como libertamos o pior que existe em nós faz a diferença entre o psicopata e o cidadão comum. Eu gosto de ler policiais e livros góticos. Há quem prefira os filmes ou jogos violentos. E existem os que seguem apaixonadamente os casos reais.&lt;br /&gt;Flores, cartas de apoio, e-mails, pulseiras verde e amarelas, donativos, apelos de figuras públicas, velas, orações, aplausos aos pais, apertos de mão. Todas as demonstrações de apoio possíveis e imagináveis foram dirigidas ao casal na situação que todos supomos altamente penosa. Causa ou consequência dessas demonstrações de apoio, os media exploram o caso que pareceu estagnado mas que recebeu novo fôlego e portanto voltou a vender. Enfim, José Sócrates e os seus ministros precisavam de umas férias&lt;br /&gt;Os últimos desenvolvimentos do caso, no que se refere ao facto de os McCann terem sido constituídos arguidos, vieram mostrar como a opinião pública é mais inconstante que um dia de Outono. Agora já não são os aplausos à saída da igreja mas os apupos à chegada das instalações da Polícia Judiciária.&lt;br /&gt;Como podem dados incongruentes de diferentes noticiários e jornais, que anunciam desenvolvimentos iminentes sem que nada aconteça, detenções que ficaram por ocorrer e pistas que não fazem sentido nem para o mais falhado escritor de policiais, alterar drasticamente a opinião das pessoas? Vão surgir os “Sempre achei que aquilo era tudo uma farsa.” ou “Esta história está muito mal contada” ou ainda “Aquele aspecto muito condoído dos pais nunca me convenceu.”&lt;br /&gt;Que poder subtil de lavagem cerebral têm os meios de comunicação social, para que poucas ideias saiam impolutas das nossas cabeças? Como pode um sector tão necessário à manutenção de uma democracia impor um padrão chocantemente uniforme de pensamento? Na minha opinião, uma das falhas mais graves na educação no nosso país é não potenciar o pensamento crítico. As minhas aulas de Introdução à Filosofia foram, salvo algumas excepções, uma desilusão. Era mais importante empinar Sócrates, Kant e Sartre do que debater um tema polémico. Em Português era quase pecado questionar a interpretação oficial de um texto e fazê-la de forma mais livre. Portanto não será assim tão estranho ter um país que formula as suas opiniões pela integração acrítica da informação caótica, para evitar denominá-la de desinformação.&lt;br /&gt;Por ora, regresso à ficção do meu policial. Lá sou eu a correr contra o detective a ver quem chega primeiro ao assassino. Lamento dizer que mui raras vezes acerto, pelo que acho por bem não armar-me em Miss Marple no mundo real.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-4100987455774139339?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/4100987455774139339/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=4100987455774139339' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/4100987455774139339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/4100987455774139339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/09/o-caso-do-peluche-cor-de-rosa.html' title='O Caso do Peluche Cor-de-Rosa'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-2255355616967605591</id><published>2007-08-18T11:54:00.000Z</published><updated>2007-08-18T11:55:49.941Z</updated><title type='text'>A minha mãe diz que os grilos cantam no tempo dos milhos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se o objectivo era levar a água ao moinho, ou talvez seja melhor dizer, dados os contornos do caso, levar os grãos de milho ao moinho, não podiam ter-se lembrado de maneira mais infeliz de o fazerem. Estou a falar, claro, do grupo de activistas ambientais do grupo Verde Eufémia que ontem invadiu um campo de milho trangénico em Silves, como forma de protesto contra este tipo de culturas. Se preferisse perseguir a imparcialidade jornalística diria que o referido grupo ceifou o milho, mas dado que este é um espaço de opinião, digo que o campo foi vandalizado.&lt;br /&gt;Antes de mais, os Organismos Geneticamente Modificados (OGM’s) são espécies vegetais ou animais cujo património genético foi alterado por introdução de gene ou genes de outras espécies diferentes. Entre os objectivos da manipulação genética destacam-se aumentar as colheitas, diminuir o uso de químicos, aumentar o valor nutritivo e durabilidade dos alimentos e tornar as plantas mais resistentes ao ataque de pragas através da incorporação de toxinas. Os OGM’s são uma matéria altamente polémica: a grande bandeira dos seus defensores é que a utilização em larga escala destas espécies alteradas erradicará a fome no mundo. Os detractores desta tecnologia acenam com a poluição genética, o efeito pouco claro na saúde, a perda de biodiversidade e o potencial efeito de selecção de pragas resistentes.&lt;br /&gt;Os estudos existentes não são conclusivos e como tal recomenda-se prudência e sensatez na utilização do OGM’s. Por outro lado, estes alimentos já fazem parte do nosso quotidiano alimentar sem que nos apercebamos disso, uma vez que a rotulagem não é devidamente cumprida, o que impede a livre escolha do consumidor.&lt;br /&gt;Até aqui, estou perfeitamente de acordo com os activistas. Digamos é que o seu modus operandi merece a minha total desaprovação. A destruição de um campo de um pequeno agricultor não dá credibilidade nem respeitabilidade à causa. Foi péssima publicidade porque lhes imprime o rótulo de vândalos. A brutalidade da “ceifa” despertou a violência dos proprietários e vizinhos, que tentaram, e alguns conseguiram, chegar-lhes a roupa ao pêlo. A violência e a revolta são maus campos onde se plantar a consciência cívica e ambiental. Perante a perda dos seus rendimentos, não podemos esperar que os proprietários passem a agricultores biológicos e apregoem os mandamentos da defesa do ambiente.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Por outro lado, a superioridade cultural e intelectual que os ditos activistas pretendem demonstrar ao dizerem que não têm nada contra o proprietário e lhe vão oferecer sementes não modificadas, cai muito mal. O agricultor defende-se com a legalidade da cultura. E ao escudar-se atrás da lei talvez ele nem soubesse que está a tocar no busílis da questão: é que o problema deve ser debatido a nível governamental. Mas para isso é preciso chamar a atenção da opinião pública, dirão eles. Tudo muito certo, mas não desta maneira. Gritem, esperneiem, façam barulho no Ministério do Ambiente ou da Agricultura, protestem em frente de fábricas, distribuam panfletos (reciclados, claro está), façam campanhas.&lt;br /&gt;Acima de tudo, protejam a vossa imagem, e consequentemente a vossa causa, e comportem-se mais como gente inteligente do que como vândalos lunáticos.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-2255355616967605591?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/2255355616967605591/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=2255355616967605591' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/2255355616967605591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/2255355616967605591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/08/minha-me-diz-que-os-grilos-cantam-no.html' title='A minha mãe diz que os grilos cantam no tempo dos milhos'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-2120493701786134768</id><published>2007-08-02T16:16:00.000Z</published><updated>2007-08-02T16:21:26.141Z</updated><title type='text'>Faz o que eu digo, não faças o que eu faço</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É sempre com um sentimento de conforto que ouvimos falar de políticos europeus, que não os nossos, a meterem a pata na poça, perdoem-me a expressão tão rasca. Afinal, não estamos sós e, de uma maneira ou outra, mais ou menos devagar vamos acompanhando o que de melhor se faz além fronteiras.&lt;br /&gt;Especificando: o deputado da União da Democracia-Cristã, Cosimo Mele (italiano), promotor do projecto de lei para testes anti-droga aos parlamentares, terá alegadamente fornecido cocaína a duas prostitutas de luxo, com as quais terá certamente participado numa alegre tertúlia numa suite do hotel Flora. Uma das senhoras em causa terá sido conduzida ao hospital devido à mistura explosiva de álcool, antidepressivos e cocaína.&lt;br /&gt;O deputado, que entretanto se demitiu, é pai de 3 filhos sendo que um quarto vem a caminho. Portanto, nos divinos registos, se é que os há, certamente será levado em conta que o dito senhor deu mais cristãos ao mundo do que a média italiana, que se situa numa criança e dois braços por casal (1,2 filhos por casal). Abençoados sejam aqueles que seguem à risca os preceitos de Deus, a moral, os bons costumes e a tradição familiar.&lt;br /&gt;Relativamente a julgamentos mais terrenos, e portanto aqueles sobre os quais se pode falar com mais segurança, não esqueçamos que a temperatura do sangue dos latinos é conhecida, empiricamente, como sendo mais elevada que a dos restantes povos. Que um homem de 50 anos, pai de 3 filhos e com a esposa grávida, se envolva, não com uma, mas com duas prostitutas de luxo, é um grande elogio à virilidade latina.&lt;br /&gt;Quanto ao facto de ter fornecido cocaína, sendo aparentemente anti-drogas, bom, convenhamos que se existem médicos que fumam e padres que pecam, não é assim tão absurdo que o pobre homem tenha umas branquinhas na algibeira para quando a necessidade aperta.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-2120493701786134768?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/2120493701786134768/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=2120493701786134768' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/2120493701786134768'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/2120493701786134768'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/08/faz-o-que-eu-digo-no-faas-o-que-eu-fao.html' title='Faz o que eu digo, não faças o que eu faço'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-1820177187633167583</id><published>2007-07-30T12:34:00.000Z</published><updated>2007-07-30T12:36:04.092Z</updated><title type='text'>Sentidos de Turista</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Saber ser turista é algo que nem toda a gente consegue e que requer uma aprendizagem. Eu aprendi a sê-lo quase por inspiração divina. Ocorreu-me como se me acendesse uma lâmpada em cima da minha cabeça, tal como acontece nos desenhos animados. Não sei precisar quando foi, mas garanto que a partir desse momento comecei a experimentar as sensações de modo muito diferente.&lt;br /&gt;Antes de mais, impõe-se que se clarifique o sentido da palavra turista. O Dicionário da Língua Portuguesa (8ª edição, Porto Editora) define assim: “pessoa que viaja por recreio ou para se instruir”. Peço encarecidamente que não me julguem arrogante, mas a verdade é que acho esta definição demasiado redutora. Não considero necessário viajar para ser turista. Para mim a condição &lt;em&gt;sine qua non&lt;/em&gt; é abrir os sentidos. Daí que até no sítio onde vivemos e que conhecemos a palmos se possa ser turista, sendo aí que reside o desafio.&lt;br /&gt;Quando tudo é novidade, é fácil estar desperto às sensações: o vento que transporta a respiração das ondas, as árvores que sussurram, o sol que acaricia a pele, o cheiro das plantas, o pitoresco de uma paisagem humana ou natural.&lt;br /&gt;Se revisitamos lugares, a capacidade de nos encantarmos com eles implica estar atento aos pormenores: um raio de sol entre as folhas, uma nuance diferente de azul no mar, uma flor que desabrocha, um pássaro a cantar a solo, um banco desconhecido à sombra de uma árvore. Quase como um bebé que vive tudo pela primeira vez, isso permite reviver sensações sem nunca as esgotar.&lt;br /&gt;Portanto, penso que ser turista não é uma condição passageira associada a uma viagem. O verdadeiro turista é aquele que faz desta condição um estilo de vida, uma romaria pessoal dos sentidos.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-1820177187633167583?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/1820177187633167583/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=1820177187633167583' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/1820177187633167583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/1820177187633167583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/07/sentidos-de-turista.html' title='Sentidos de Turista'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-7249961567141424779</id><published>2007-07-23T13:55:00.000Z</published><updated>2007-07-23T14:27:37.801Z</updated><title type='text'>Impressões e Preconceitos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;em&gt;Orgulho e Preconceito&lt;/em&gt; é seguramente a obra mais lida de toda a bibliografia de Jane Austen, a célebre escritora britânica, autora de &lt;em&gt;Sensibilidade e Bom Senso&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Emma&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Persuasão&lt;/em&gt;, entre outros.&lt;br /&gt;Através da imprensa, o público tomou conhecimento de uma experiência levada a cabo pelo inglês David Lassman, que consistiu no envio do manuscrito do clássico de Austen às principais editoras britânicas, assinado por uma autora fictícia e sob o título original da obra – &lt;em&gt;Primeiras Impressões&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Em resposta, recebeu um total de dezoito cartas confrangedoramente unânimes no veredicto: a obra em questão não seria publicada por se revelar de “pouco interesse”. Apenas uma das editoras chegou ao mísero ponto de constatar “algumas semelhanças” com a obra assinada por Jane Austen, aconselhando um contraste entre ambas.&lt;br /&gt;A dita experiência tinha o propósito de denunciar o débil impacto que as “boas histórias” têm no mundo literário, sobre o qual a indústria cinematográfica parece prevalecer cada vez mais. Creio que desta situação se podem ainda retirar mais algumas inquietantes conclusões, nomeadamente no que respeita ao desempenho das editoras na apreciação das obras que lhes são propostas.&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, leva-nos a pensar que as histórias são recusadas de ânimo leve, sem serem lidas a fundo e portanto é provável que muitos projectos de qualidade de autores anónimos estejam condenados ao fundo da gaveta. Assim sendo, perdemos todos: o autor perde motivação, a editora perde potencial lucro e os leitores perdem boas horas de entretenimento.&lt;br /&gt;A segunda hipótese parece indicar claramente que o responsável pelo escrutínio dos manuscritos não conhece Jane Austen, o que podia ser perfeitamente desculpável se não estivéssemos a falar de uma pessoa cujo trabalho e nacionalidade implica supostos conhecimentos literários. Parece razoável dizer que esta situação é tão absurda como uma pessoa com as mesmas incumbências em Portugal não fosse capaz de reconhecer &lt;em&gt;Os Lusíadas&lt;/em&gt; ou &lt;em&gt;Os Maias.&lt;br /&gt;Indeed&lt;/em&gt;, a sétima arte ganha terreno sobre a letra impressa, portanto, não seria lógico pensar que os responsáveis por esta última se esforçassem um bocadinho mais? No Reino Unido talvez devessem ter cuidado com a formação académica daqueles que estudam os manuscritos. Por cá, não seria má ideia apostar em edições de bolso, como é o caso da recente iniciativa do Diário de Notícias, porque entre um livro e um par de sapatos a 20€, não restam dúvidas qual continua a ser a opção das massas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Em colaboração com &lt;strong&gt;Mariana Almeida&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-7249961567141424779?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/7249961567141424779/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=7249961567141424779' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/7249961567141424779'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/7249961567141424779'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/07/impresses-e-preconceitos.html' title='Impressões e Preconceitos'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-2798715559469453132</id><published>2007-07-11T16:59:00.000Z</published><updated>2007-07-11T17:01:29.905Z</updated><title type='text'>Lados Lunares</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O que é que novas tecnologias e idiotice têm em comum? Muita coisa. Talvez demais. Se bem que as novas tecnologias vieram introduzir comodidades inegáveis à vida quotidiana, é igualmente verdade que potenciam um vasto campo para a ordinarice e ilegalidade em geral.&lt;br /&gt;Eu bem podia aqui dissertar sobre a liberdade não controlada da Internet, a pornografia infantil, os downloads piratas, etc, mas profiro conduzir a discussão para um campo que apesar de inócuo, não deixa por isso de ser menos desagradável: a idiotice e chico-espertice que por aí grassa apoiada na Internet e nos telemóveis. Não que isto seja motivo para repudiá-los para todo o sempre: é simplesmente um apelo à reflexão pessoal sobre o assunto e, especialmente, uma fervorosa prece para que não me façam vítima desse tipo de parvoíces.&lt;br /&gt;A massificação da utilização do e-mail conduziu a que se receba frequentemente o seguinte tipo de mensagem:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“Podes não acreditar, mas isto funciona mesmo. Até assusta! Hoje, à meia-noite vais receber um telefonema do amor da tua vida e todos os teus sonhos vão tornar-se realidade. Para isso, tens 10 minutos para enviar esta mensagem a 50 contactos. Caso contrário terás azar até morrer...”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Nos telemóveis, não ajudou nada quando as diferentes redes começaram a oferecer sms’s gratuitos. Desde cadeias de energia positiva para ajudar a encontrar Madeleine McCann, a piadas secas que nos acordam às 8 da manhã de um sábado, a melhor de todas, a que prova bem a falta de entretenimento de que muita gente padece, recebi hoje. O número vinha oculto e passo a citar:&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“A chave do euro milhões desta semana é: 9, 19, 29, 39, 49 e as estrelas são 1 e 9. Espero que as use tão bem quanto eu usaria, pois já não estou neste mundo. Amália.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;Este tipo de piadinha não mata mas mói. A primeira é vagamente engraçada, a segunda ainda se suporta, a terceira já enjoa. Isto porque não aprecio o humor que pretende fazer dos outros parvos. Especialmente se o número vier oculto e não me for dada a satisfação de rir de quem envia semelhantes patranhas. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-2798715559469453132?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/2798715559469453132/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=2798715559469453132' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/2798715559469453132'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/2798715559469453132'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/07/lados-lunares.html' title='Lados Lunares'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-2260625524870450531</id><published>2007-07-07T10:42:00.000Z</published><updated>2007-07-07T10:46:46.140Z</updated><title type='text'>Gritos pela Terra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Creio que todas as gerações têm os seus desafios. Meros acasos do destino que se constituem como exercícios de pensamento crítico, experimentação de papeis e maturidade. Toda a juventude, seja ela cronológica ou espiritual, deve nortear-se por ideais.&lt;br /&gt;Enquanto a geração dos meus pais foi marcada pelo Estado Novo e pelas mudanças pós-25 de Abril, um dos mais importantes desafios colocados à minha é salvar o planeta ou pelo menos preservar o que resta dele. Os problemas ecológicos dizem respeito a todos e só com a intervenção de todos se poderá chegar a soluções satisfatórias. Mas os jovens terão um papel fundamental. E porquê? Porque a instrução escolar da minha geração foi paulatinamente englobando a sensibilização para as problemáticas da degradação do ambiente. Fui eu e o meu irmão quem ensinamos os nossos pais a fazer separação do lixo. Estranhou-se mas entranhou-se e agora é rotineiro.   &lt;br /&gt;Já se passaram vários anos desde a primeira vez que ouvi falar de aquecimento global e lembro-me que na altura era um conceito muito abstracto e altamente controverso. Actualmente, são cada vez mais débeis e absurdas as vozes que se levantam a protestar contra o que já está definitivamente provado. A degradação do planeta é infelizmente uma realidade palpável que, a menos que travada, terá graves consequências num futuro não muito distante. As próximas guerras serão, não por petróleo, mas por água potável. As alterações do clima conduziram à desertificação, fomes e migrações das populações mais pobres. Isso, por sua vez, levará ao surgimento de epidemias, agravadas pelo aumento de temperatura que é favorável à proliferação das pragas. É um nunca mais acabar de calamidades.&lt;br /&gt;É deveras interessante que o &lt;em&gt;Live Earth&lt;/em&gt; se realize no mesmo dia em que serão declaradas as Novas 7 Maravilhas. Isto porque a Terra é a maravilha entre as maravilhas. A conservação do património exige a promoção do ambiente. Porque a Terra é a mãe de multifacetadas povos ou porque a cultura só floresce na harmonia (a todos os níveis), cuidemos do planeta para compreendermos quem somos e de onde viemos.&lt;br /&gt;Por isso lanço este apelo pela Terra: pequenos gestos fazem a diferença. Para que as maravilhas da Terra não se resumam a memórias gravadas nas fotografias da &lt;em&gt;National Geographic&lt;/em&gt; das nossas estantes.&lt;/span&gt; &lt;br /&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-2260625524870450531?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/2260625524870450531/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=2260625524870450531' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/2260625524870450531'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/2260625524870450531'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/07/gritos-pela-terra.html' title='Gritos pela Terra'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-7991815768372718758</id><published>2007-06-29T21:10:00.000Z</published><updated>2007-06-29T21:18:24.815Z</updated><title type='text'>Chover no molhado</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na sequência do meu post anterior, tenho a anunciar que para além de aprender a falar Espanhol vou iniciar-me nas artes do oculto. Repararam como tenho um talento natural para prever acontecimentos futuros? Agora resta-me refinar a nobilíssima arte de intrujar infelizes em apuros e claro, aprender a interpretar os sombrios presságios de uma bola de cristal, os intricados desenhos de folhas de chá e a combinação subtil das cartas do Tarot. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Desta vez a saga passa-se no ramo da Saúde, que tal como o da Educação, é um campo sensível da política portuguesa (mas pensado bem, há algum campo que não seja sensível?). Por não ter sido suficientemente célere a mandar retirar a (boa) piada de um médico, a directora do Centro de Saúde de Vieira do Minho, Maria Celeste Cardoso, foi exonerada do cargo que ocupava. Mas esta é a versão dos inimigos da pátria, conspiradores e não tementes a Deus. Nestes tempos de crise, contudo, há que dizer que a versão da ordem estabelecida (e portanto inquestionavelmente verdadeira) é que a dita senhora não era suficientemente idónea para ocupar o cargo. Para evitar males futuros, o melhor que tenho a fazer é vergar-me ao poder político e dizer que “sim senhor, apesar de nunca ter estado em Vieira do Minho e não conhecer a Senhora Maria Celeste Cardoso, sempre tive a certeza de não ser esta a pessoa indicada para o lugar”.&lt;br /&gt;Abstenho-me de comentar, dado que o que tenho a dizer é somente a repetição daquilo que referi no post anterior, isto é, o meu profundo desprezo por qualquer atitude pidesca, intolerante e que cheire levemente a Estado Novo.&lt;br /&gt;Manuel Alegre lamenta-se por ter andado a pregar aos peixes. Não tenho a certeza do que o vento que passa lhe responderia se questionado acerca do país, mas, e fazendo jus à minha potencialidade de mestre do oculto, não agoiro nada de positivo.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-7991815768372718758?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/7991815768372718758/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=7991815768372718758' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/7991815768372718758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/7991815768372718758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/06/chover-no-molhado.html' title='Chover no molhado'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-7673197917525651298</id><published>2007-06-08T19:34:00.000Z</published><updated>2007-06-08T19:38:38.714Z</updated><title type='text'>No País dos Bufos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Estou a pensar seriamente em encerrar este blog. Ou pelo menos deixar de o assinar com o meu verdadeiro nome. A verdade é que nunca se sabe quem o vai ler e depois andar por aí a espalhar as minhas opiniões, as quais podem não ser concordantes com a ordem estabelecida das coisas. De textos e ideias inócuas podem advir grandes males futuros, sei lá, coisas como ser impedida de terminar o curso ou mesmo proibida de trabalhar para o Serviço Nacional de Saúde.&lt;br /&gt;Eu já deixei de dizer piadas acerca de licenciatura (?) do nosso Primeiro Ministro em Engenharia Civil. Se ao professor Fernando Charrua, com uma larga carreira, não hesitaram em suspender as suas funções, tremo só de pensar o que me pode acontecer.&lt;br /&gt;Mas se pensarmos bem, nada disto é assim tão estranho. Em primeiro lugar, já lá vão largos anos, o secretário de Estado adjunto da Cultura, Sousa Lara, vetou o livro Evangelho Segundo Jesus Cristo de uma lista de romances portugueses candidatos a um prémio europeu, porque, certamente, ofendia as suas convicções católicas. Interessante. Chateado, e com razão, o nosso Nobel foi viver para Espanha.&lt;br /&gt;Há questão de alguns meses, foi eleito como Maior Português de Sempre, nada mais, nada menos que Salazar. Absolutamente fantástico. Mimoso mesmo. Será que não havia mais ninguém? Já todos se esqueceram do que era a vida antes do 25 de Abril? Devia ser simpático ter visitas da PIDE. Portugal até era rico? Vale de muito ser rico se o povo é ignorante… Sempre pensei que os suspiros que se ouvem por aí – “No tempo de Salazar não era nada disto…” – fossem meros devaneios saudosistas, daqueles a que os portugueses são tão atreitos por qualquer alteração genética centenária.&lt;br /&gt;Pessoalmente, considerei um insulto a todos aqueles que sofreram para construir o Portugal de hoje. Imperfeito, sem dúvida, mas pelo menos democrático.&lt;br /&gt;E agora surge esse velho novo fantasma: o da pura mesquinhez daqueles que ganham favores à custa dos desabafos do colega. O das piadas. Ou das opiniões.&lt;br /&gt;Acho que vou começar a aprender Espanhol.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-7673197917525651298?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/7673197917525651298/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=7673197917525651298' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/7673197917525651298'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/7673197917525651298'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/06/no-pas-dos-bufos.html' title='No País dos Bufos'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-8631727695818332505</id><published>2007-05-22T13:54:00.000Z</published><updated>2007-05-22T13:55:44.437Z</updated><title type='text'>A Irmandade do Estetoscópio</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Hoje em dia é muito fácil fazer dinheiro a partir de um livro. Principalmente a partir daqueles classificados como literatura de aeroporto que misturam acções alucinantes ao longo de 24 horas, um tipo esperto, uma gaja boa e uma organização manhosíssima que sobreviveu incógnita ao longo dos tempos devido ao esforço de membros de elite.&lt;br /&gt;Se até um livro escrito por uma senhora cuja actividade profissional não é tributável, relatando as suas actividades diárias, recheado de palavrões linha sim linha sim senhor, pode vender, porque é que um livro meu à Dan Brown não há-de rechear generosamente a minha conta bancária?&lt;br /&gt;Por isso mesmo decidi criar primeiro uma organização, a partir da qual o enredo será desenvolvido.&lt;br /&gt;A organização é a Irmandade do Estetoscópio. É composta por jovens estudantes aspirantes a médicos que dedicam a sua vida ao conhecimento desta nobre ciência e que certamente não deveriam ter tempo para escrever textos como o presente.&lt;br /&gt;A referida Irmandade caracteriza-se por usar comummente vocabulário que irrita a maioria do comum mortal. Como referir-se a cefaleia quando se queixa de uma vulgaríssima dor de cabeça ou descrever-se num estado asténico para dizer que está cansado. Ou ainda referir-se a um estímulo do Sistema Nervoso Simpático para dizer que apanhou um susto do caraças.&lt;br /&gt;A Irmandade do Estetoscópio persegue o seu ideal de ouro. Esqueçam o Santo Graal ou a sepultura de Maria Madalena. O que os dignos membros da ordem querem descobrir é a que se referem os doentes quando dizem estar com “Agonias”, esse misterioso sintoma passível de ser encontrado em qualquer doença sentida por um açoriano ou imigrante.&lt;br /&gt;Aqui está o meu primeiro passo para a fama no meio literário. Restam os outros componentes da acção de uma obra que virá a ser descrita como inspirada e reveladora de grande talento.&lt;br /&gt;E claro, qualquer semelhança com o real é pura, pura coincidência.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-8631727695818332505?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/8631727695818332505/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=8631727695818332505' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/8631727695818332505'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/8631727695818332505'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/05/irmandade-do-estetoscpio.html' title='A Irmandade do Estetoscópio'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-1676028713983081591</id><published>2007-04-13T13:30:00.000Z</published><updated>2007-04-13T13:32:18.476Z</updated><title type='text'>O Senão das Belas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em 2001 quando surgiu a primeira edição do “Big Brother” eu tinha 14 anos e seguia quase religiosamente o avançar do reality-show. Há medida que o tempo foi passando (felizmente) comecei a perceber o quão parolo era este tipo de programa. Ver uma quantidade de gente isolada do mundo exterior, controlada 24 horas por dia por câmaras sedentas de cenas bombásticas de envolvimento sexual ou violência física ou verbal é deveras estupidificante. As telenovelas ainda conseguem transmitir alguns valores, mas os reality-shows exploram o que de pior há no ser humano quando este é obrigado a limitar-se a determinada esfera de relacionamentos. Passados 6 anos, parece que esta área da televisão é ainda um campo fértil que não se esgota. As audiências não se cansam de tanta pimbalhada. Ele foi “Big Brother”, “Big Brother Famosos”, “Quinta das Celebridades”, “O meu noivo” qualquer coisa, “O milionário”, enfim…&lt;br /&gt;        O novo modelo, o recente programa “A Bela e o Mestre”, não é apenas preocupante por ser um reality-show, mas pelos estereótipos que veicula.&lt;br /&gt;        A triste realidade é um Portugal é ainda um país de marialvas e machistas em geral. A ideia que uma mulher deve é estar em casa a coser as meias do marido e a preparar-lhe as refeições é ainda um conceito muito palpável. Vigora ainda a ideia que a plena realização de uma mulher passa única e exclusivamente pelo casamento. São mais as pessoas que perguntam à minha mãe se eu tenho um namorado do que aquelas que perguntam como vai correndo o curso.&lt;br /&gt;        Não se pode dizer que as concorrentes do programa não sejam inteligentes, até porque a inteligência é difícil de definir e apresenta múltiplas vertentes. São é pouco cultas. Mas, o que lhes falta em conhecimento compensam em corpos perfeitos. Eles são cultos mas são “ratos de laboratório”, “nerds”, basicamente têm dificuldades de relacionamento. Se bem que também seja injusta e desfasada a imagem que é passado acerca dos homens, acabam por ser as mulheres as mais expostas ao ridículo. Quando eles não sabem os mexericos dos famosos ou não sabem se vestir à metrossexual isso provoca uma gargalhada condescendente, mas quando são elas que não conseguem identificar Luís de Camões são gozadas e sujeitas a bocas. Eles são tímidos mas elas são absolutamente insípidas.&lt;br /&gt;        Voltará a ideia de que uma mulher bonita é burra e que as mulheres inteligentes não podem ser bonitas? Vamos voltar ao tempo em que as mulheres que estudam e trabalhavam faziam-no porque não tinham marido que as sustentasse? Seria um triste retrocesso para toda a sociedade.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;        &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-1676028713983081591?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/1676028713983081591/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=1676028713983081591' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/1676028713983081591'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/1676028713983081591'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/04/o-seno-das-belas.html' title='O Senão das Belas'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-3526034944149586828</id><published>2007-03-01T12:30:00.001-01:00</published><updated>2007-03-01T12:31:00.223-01:00</updated><title type='text'>Aviso à Navegação</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Há precisamente um ano atrás iniciei este blogue. Se me perguntarem porque o fiz, a resposta será: porque era moda. Vergonhosamente ridículo mas sincero. Também fui algumas vezes questionada a propósito do nome que lhe atribuí. Escolhi uma frase de Pessoa, suficientemente sonante mas não comprometedora, dado que quando comecei este blogue não sabia exactamente o rumo que ele tomaria. Em abono da verdade, ainda hoje não sei bem qual é: vou escrevendo sobre aquilo que leio, ouço dizer ou experimento, sem contudo expor-me demasiado porque o meu objectivo foi, e continua a ser, criar um espaço de diálogo e discussão e não um diário de confidências.&lt;br /&gt;        Os meus leitores frequentes (poucos mas muito fiéis) sabem que de quando em quando passo algumas semanas sem actualizar o blogue. Lamento profundamente não poder dedicar-me mais a ele, “postar” com mais frequência e regularidade. Mas as contingências da minha vida obrigam que assim seja.&lt;br /&gt;        Quanto aos “postes” em si, lamento que alguns não sejam particularmente felizes: por vezes tenho o texto mentalmente bem organizado mas quando o escrevo acaba por não fluir tão bem quanto eu desejaria. Há dias assim. O inverso também é verdadeiro. Colocar-me em frente ao computador com umas ideias soltas e conseguir um resultado, a meu ver, bastante satisfatório.&lt;br /&gt;        O presente “post”, creio eu, é uma necessidade há muito latente. Uma justificação, uma explicação e um pedido de desculpas pela minha inconstância.&lt;br /&gt;        Por fim, queria pedir a todos os que lerem este post para deixarem um comentário a propósito do que pensam sobre o blogue, porque os comentários aos post por si só não me dão uma ideia de conjunto.&lt;br /&gt;O meu obrigado por ter aberto esta página e dar-se ao trabalho de ler o que eu escrevo.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-3526034944149586828?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/3526034944149586828/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=3526034944149586828' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/3526034944149586828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/3526034944149586828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/03/aviso-navegao.html' title='Aviso à Navegação'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-6686920808161947321</id><published>2007-02-17T22:19:00.000-01:00</published><updated>2007-02-17T22:20:52.963-01:00</updated><title type='text'>O Último Reduto</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Há vários dias atrás a comunicação social anunciou um estudo levado a cabo por cientistas britânicos e alemães que, através de técnicas de neuroimagiologia obtidas por ressonância magnética funcional, dizem conseguir prever as intenções de uma pessoa num futuro próximo. Um pouco como ler a mente.&lt;br /&gt;        Principalmente devido ao meu actual percurso académico, libertei-me do simbolismo romântico e poético que considera o coração como o mais nobre órgão do corpo humano. Desenganem-se os poetas: o coração é apenas músculo. Uma bomba que obedece a ordens superiores. Portanto, considero ser o cérebro o mais magnífico órgão humano. É lá que reside tudo o que somos: memória, personalidade, emoções, sentimentos, inteligência. Tudo dentro de uma caixinha mágica.&lt;br /&gt;        Por isso mesmo, a recente afirmação da parte dos neuroinvestigadores fascina-me, mas não deixa de me assustar terrivelmente.&lt;br /&gt;        Nota-se actualmente um verdadeiro &lt;em&gt;boom&lt;/em&gt; cientifico e ainda bem que assim é. Os progressos científicos devem nortear-se pela busca do benefício geral da Humanidade, o que implica que a ressalva ética seja uma constante. Neste caso em concreto, até que ponto essa tecnologia deve ser desenvolvida?&lt;br /&gt;        A mente humana é o último reduto da liberdade, o mais profundo da nossa individualidade, a derradeira barreira protectora contra a estupidificação. Por muito que se seja coagido, há liberdade enquanto há pensamento crítico. Poder prever a acção por interpretação de padrões cerebrais não será então uma forma de violar a privacidade e a liberdade individuais? No limite, o que seria da Humanidade se a mente fosse um livro aberto? Saberíamos quando depois de uma discussão o outro romperia em lágrimas, saberíamos tudo o que as pessoas pensam de nós (o bom e o mau), saberíamos quando as pessoas nos fazem sorrisos simpáticos enquanto lhes apetecia dar estalos e podíamos esperar as reacções dos outros perante determinadas palavras. Por enquanto resta-nos a certeza da complexidade cerebral.&lt;br /&gt;        Haverá sempre quem defenda que esta poderá ser uma arma na luta contra o terrorismo. Até certo ponto é possível. Mas as câmaras de vigilância electrónica também o são e apesar disso não são perfeitas.&lt;br /&gt;        A questão aqui é até que ponto devemos defender a nossa privacidade e a nossa liberdade. Considero-os valores preciosos, sendo contudo alvo quase diário de agressão. Através da massificação do pensamento, da integração acrítica da informação, das subtis lavagens cerebrais que constituem as propagandas publicitárias e da adopção de um padrão uniforme de comportamento vamos deixando perder as superiores características intrínsecas, com as quais a evolução dotou a nossa espécie.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-6686920808161947321?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/6686920808161947321/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=6686920808161947321' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/6686920808161947321'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/6686920808161947321'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/02/o-ltimo-reduto.html' title='O Último Reduto'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-116983812670796984</id><published>2007-01-26T18:01:00.000-01:00</published><updated>2007-01-26T21:01:49.986-01:00</updated><title type='text'>A (Des)penalização da Consciência</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A questão é sensível, e ainda bem que assim é. O facto de serem tão complexos os problemas que envolvem a vida humana implica que qualquer pessoa com o mínimo de sensibilidade e ética não lhes seja indiferente.&lt;br /&gt;O aborto é uma realidade. Sempre existiu e não há razões para pensar que deixará de ser praticado. Aliás, se me dessem garantias que a actual lei erradicaria toda e qualquer interrupção de uma gravidez, o meu voto seria “Não”.&lt;br /&gt;Quando uma mulher interrompe uma gravidez, com excepções feitas àquelas que sempre confirmam a regra, certamente não o faz de ânimo leve. A maternidade é algo intrínseco à espécie, é biológico e portanto não deve ser possível fugir da auto-reflexão e auto-julgamento. Tomar uma decisão nesse sentido deverá, portanto, ser uma tortura que certamente conduzirá a sequelas futuras.&lt;br /&gt;O meu voto pelo “Sim” não constitui desrespeito pela vida humana. Constitui antes o repúdio por um sistema hipócrita que lucra com o aborto clandestino e que sustenta assimetrias sociais. Será coincidência que apenas mulheres de baixos recursos sejam condenadas pela prática de aborto? Claro que quem pode não se sujeita a abortos de vãos de escada praticados por curiosos na matéria. Recorrem antes a métodos mais discretos, acreditando que euros a mais lhes resolverá silenciosamente o problema, talvez com a garantia de um atendimento mais seguro em termos científicos. As tais “slot-machines” como alguém já se lhes referiu.&lt;br /&gt;Analisando sobre outra perspectiva: é certo e sabido que nas Urgências dos Hospitais surgem casos dramáticos de abortos mal sucedidos, casos que resultam em infertilidade, trauma psicológico e mesmo morte. Um apoio médico adequado, com equipas multidisciplinares, parece, a meu ver, uma solução mais razoável: acompanhamento pré-interrupção, com apoio psicológico e consultas de planeamento familiar. Não se trata de incentivar o aborto, mas de oferecer uma opção mais digna.&lt;br /&gt;Aliás, as interrupções repetidas não são justificáveis. A interrupção da gravidez não pode ser vista como um método contraceptivo e por isso mesmo, penso que as campanhas de planeamento familiar e contracepção devem ser mantidas e melhoradas.&lt;br /&gt;Num país de estimativas horríveis de violência e abusos sobre crianças, o facto de não ser desejada vem adicionar outro “factor de risco”.&lt;br /&gt;Cada qual que reflicta com cuidado, livre de preconceitos. Livre de ameaças de excomunhão ou acusações de terrorismo. Imaginemos as situações de desespero por falta de recursos ou discriminação social. E não sejamos hipermoralistas: ser a favor de uma mudança na lei não significa necessariamente realizar o acto que ela liberaliza.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-116983812670796984?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/116983812670796984/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=116983812670796984' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/116983812670796984'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/116983812670796984'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2007/01/despenalizao-da-conscincia.html' title='A (Des)penalização da Consciência'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-116440574906053707</id><published>2006-11-24T20:56:00.000-01:00</published><updated>2006-11-24T22:18:29.606-01:00</updated><title type='text'>O Alquimista</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se estivesse vivo, faria hoje 100 anos. A Pedra Filosofal que descobriu pode não tê-lo tornado imortal na verdadeira asserção da palavra, mas prolonga a sua existência através dos ecos do seu poema.&lt;br /&gt;Refiro-me a António Gedeão, pseudónimo de Rómulo de Carvalho, professor, pedagogo, investigador, poeta, mago das palavras, autor de um dos mais geniais poemas que conheço: “Pedra Filosofal”.&lt;br /&gt;Um poema que exalta a capacidade humana de sonhar e como tal rasgar horizontes, quebrar barreiras, desafiar leis cósmicas e inventarmo-nos num novo tempo e num novo espaço. O sonho é a expansão da alma.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Pedra filosofal&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;"Eles não sabem que o sonho&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;é uma constante da vida &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;tão concreta e definida &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;como outra coisa qualquer,&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;como esta pedra cinzenta &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;em que me sento e descanso, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;como este ribeiro manso &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;em serenos sobressaltos, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;como estes pinheiros altos &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;que em verde e oiro se agitam, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;como estas aves que gritam &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;em bebedeiras de azul. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Eles não sabem que o sonho &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;é vinho, é espuma, é fermento, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;bichinho álacre e sedento, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;de focinho pontiagudo, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;que fossa através de tudo &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;num perpétuo movimento. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Eles não sabem que o sonho &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;é tela, é cor, é pincel, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;base, fuste, capitel, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;arco em ogiva, vitral, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;pináculo de catedral, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;contraponto, sinfonia, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;máscara grega, magia, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;que é retorta de alquimista, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;mapa do mundo distante, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;rosa-dos-ventos, Infante, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;caravela quinhentista, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;que é Cabo da Boa Esperança, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;ouro, canela, marfim, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;florete de espadachim, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;bastidor, passo de dança, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Colombina e Arlequim, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;passarola voadora, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;pára-raios, locomotiva, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;barco de proa festiva, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;alto-forno, geradora, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;cisão do átomo, radar, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;ultra-som, televisão, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;desembarque em foguetão &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;na superfície lunar. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Eles não sabem, nem sonham, &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;que o sonho comanda a vida. &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Que sempre que um homem sonha &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;o mundo pula e avança &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;como bola colorida &lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;entre as mãos de uma criança."&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-116440574906053707?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/116440574906053707/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=116440574906053707' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/116440574906053707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/116440574906053707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/11/o-alquimista.html' title='O Alquimista'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-116389314420230576</id><published>2006-11-18T22:38:00.000-01:00</published><updated>2006-11-18T22:39:04.230-01:00</updated><title type='text'>Espelho Meu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando outro dia andava na baixa de Ponta Delgada dei com uma nova loja que, ao que parece, vende apenas embrulhos para prendas. São embrulhos elegantes, requintados e, suponho eu, de preço proporcional a isso mesmo. Como a quadra que se aproxima é propícia, pus-me a pensar como seria receber um presente com um embrulho assim mas em que o conteúdo fosse banal: seria uma desilusão de todo o tamanho. O inverso, isto é um embrulho apenas bonito e uma prenda fantástica, seria excelente. O primeiro impacto é fundamental, mas o que importa verdadeiramente é o que surge depois de um embrulho aberto.&lt;br /&gt;        Talvez seja uma comparação profundamente grosseira dizer que as pessoas são como prendas. Vivemos num mundo em que cada vez mais conta apenas o exterior, sendo que a verdadeira essência de cada um de nós é posta de parte. Mas não sejamos hipócritas: a imagem é a nossa primeira marca. É a maneira como surgimos aos outros, como somos evocados e como nos vemos todos os dias ao espelho. Daí que seja normal a preocupação que todos nós temos com a nossa aparência. O que já ultrapassa os limites do aceitável é a submissão a padrões de beleza absolutamente distorcidos.&lt;br /&gt;        A noção de beleza não é imutável e não é necessário ser um grande entendido de arte para o perceber. Basta ver umas pinturas de séculos passados para ver que o ideal de beleza se baseava em paradigmas mais curvilíneos. Certamente horrorizaria qualquer esteta renascentista saber que muita gente considera as manequins o supra-sumo da beleza. Ainda me lembro que a minha avó, certamente para me animar dos quilinhos que sempre tive a mais, me dizia que “a gordura é formosura.”&lt;br /&gt;        Sou da opinião que cada vez mais a noção generalizada de beleza feminina caminha para o descalabro, dado que impõe à mulher limites muito estreitos. Basta pensar na manequim brasileira Ana Carolina, de 21 anos que morreu há dias vítima de uma infecção generalizada, provocada pela anorexia. Tinha 1,74 de altura e pesava apenas 40 quilos. Alimentava-se de apenas maçãs e tomates, vomitando, por vezes, essa diminuta quantidade de comida.&lt;br /&gt;        O que faz uma pessoa fisicamente bonita? O rosto, sem dúvida. O facto de possuirmos pequenos detalhes que nos tornam distinguíveis no meio de tantos outros. As nossas bochechinhas. O contorno dos lábios. A forma das pestanas. A expressão dos olhos. A frescura do sorriso. Pobre daquele que ao espelho não encontra algo de belo. Não precisa de uma plástica, mas de injecções de auto-estima.&lt;br /&gt;        O que nos torna belos é o facto de sermos únicos. Se a isso somarmos as nossas qualidades, a nossa verdadeira essência, então somos prendas cujo embrulho não é uma fraude.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-116389314420230576?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/116389314420230576/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=116389314420230576' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/116389314420230576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/116389314420230576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/11/espelho-meu.html' title='Espelho Meu'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-116215107757134218</id><published>2006-10-29T18:41:00.000-01:00</published><updated>2006-10-29T18:45:32.086-01:00</updated><title type='text'>As Comadres</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Se eu, por um capricho qualquer, fizesse um inquérito às pessoas da minha santa terrinha acerca dos seus hobbies preferidos, 90% (e estou a avaliar por baixo) responderia “Coscuvilhar”. Falar da vida alheia, difamar, cortar na casaca, desenterrar mortos e enterrar vivos. E é essa triste certeza que me faz às vezes desejar ir viver para um sítio onde ninguém me conheça ou construir uma casa no meio dos montes, bem longe de vizinhos.&lt;br /&gt;Revolta-me saber de mexericos, com maioria de razão quando envolvem a minha pessoa ou familiares e amigos. Mas quando racionalizo a questão, transformo a revolta em pena. Cansa menos. Pena porque os “disse que disse” partem de pessoas que não têm vida suficientemente interessante para se absorverem nela e portanto apimentam pormenores da vida alheia ou, mais repugnante ainda, inventam.&lt;br /&gt;Nojento é também aquilo que sucedeu a Miguel Sousa Tavares. A essência e o objectivo são similares com a agravante de usar meios diferentes e ter maior repercussão. Explicitando: há um blogue (freedomtocopy) que acusa o referido escritor de plágio na sua obra &lt;em&gt;Equador&lt;/em&gt; relativamente ao livro &lt;em&gt;Esta Noite a Liberdade&lt;/em&gt;, de Dominique Lapierre e Larry Collins. A acusação não tem fundamento algum, como já foi comprovado. Miguel Sousa Tavares, como é natural e compreensível, sente-se ultrajado, afirmando: &lt;em&gt;“A calúnia causou danos. Em meia hora consegue-se sujar um nome e o mérito de um trabalho de anos.”&lt;/em&gt; E como o blogue não vem assinado, os autores são meros fantasmas.&lt;br /&gt;Na verdade, é difícil imaginar as comadres da minha terrinha a navegar na bloguesfera e a publicar mexericos. Mas a inveja, a mesquinhez ou o simples gozo de difamar são os mesmos. E é um cenário não muito distante porque com o avançar das gerações as novas tecnologias são prática comum.&lt;br /&gt;Portanto, aqui fica o apelo: não usem a bloguesfera para as vossas frustrações mas sim como um espaço de diálogo edificante, troca saudável de opiniões. Nunca como meio para enxovalhar e denegrir a imagem do próximo. E principalmente, sem a cobardia do anonimato.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-116215107757134218?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/116215107757134218/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=116215107757134218' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/116215107757134218'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/116215107757134218'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/10/as-comadres.html' title='As Comadres'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-116195322781288904</id><published>2006-10-27T12:46:00.000Z</published><updated>2006-10-28T21:58:03.653Z</updated><title type='text'>Saltar da Cama</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Convenhamos, ter de acordar cedo para ir trabalhar nunca é agradável. Se ainda por cima é segunda feira, está a chover e está frio, então a coisa complica-se mesmo. Os “só mais cinco minutos” transformam-se em quinze, ficamos com pouco tempo para tomar o pequeno-almoço e demais actividades rotineiras, o caos instala-se. Portanto, é legítimo afirmar que despertar nessas condições é traumático.&lt;br /&gt;Ora, um estudo realizado no Reino Unido, demonstra que as mulheres permanecem mais mal-humoradas nas 4 horas seguintes a acordar (30%) comparativamente aos homens (10%).&lt;br /&gt;Deixemos a questão sexista, até porque não é favorável à minha pessoa. A que se deve um “mau-acordar”? Esse mesmo estudo demonstra que 40% dos inquiridos justifica o mau-acordar devido a noites mal dormidas enquanto 24% culpa o stress e as preocupações.&lt;br /&gt;Bom, eu normalmente durmo como um anjo. Só situações muito, muito pontuais me tiram o sono. E contudo, não tenho um acordar fácil.&lt;br /&gt;Pessoalmente acho que a boa disposição depende em parte do modo como somos acordados. A mim, já me despertaram arrancando literalmente os cobertores de cima ou então quase a arrombar a porta do quarto. Simpático, não é? Também não ajuda nada quando é o despertador com apitos histéricos que me fazem acordar sobressaltada. É um exagero dizer que me estragam o dia, mas não é um começo muito auspicioso.&lt;br /&gt;Felizmente já encontrei duas soluções: uma depende de terceiros e outra depende de boa música. Explicitando: quando é a minha mãe a acordar-me com jeitinho, com festinhas no cabelo e com uma chávena de café quentinho, então a manhã corre lindamente. Quando a mamã não pode estar ao serviço, então socorro-me de boa música com muita energia.&lt;br /&gt;Tenho a teoria que a música que ouvimos de manhã nos acompanha durante o dia. Já me aconteceu ouvir nos autocarros, géneros musicais que roçam o pimba e depois ficar a trautear a música o dia inteiro. Irritante, no mínimo. Portanto, o que faço é ouvir algo alegre, bem disposto e de boa qualidade. E muitas vezes em português, para ir mais facilmente acompanhando a letra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Resultado? Um sorriso pouco justificável a horas tão matutinas, menos sonolência nas aulas e mais coragem para enfrentar o dia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-116195322781288904?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/116195322781288904/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=116195322781288904' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/116195322781288904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/116195322781288904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/10/saltar-da-cama.html' title='Saltar da Cama'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-116095325408840461</id><published>2006-10-15T23:00:00.000Z</published><updated>2006-12-03T14:57:48.870-01:00</updated><title type='text'>Os Grandes Portugueses</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Começou hoje com uma nota introdutória, mas o novo programa da RTP já dá que falar. Para os que ainda não sabem, trata-se de um programa de entretenimento e debate a partir da votação dos portugueses relativamente à figura mais marcante da nossa história. Qualquer pessoa pode ser nomeada, mas a RTP já disponibilizou uma lista para dar dicas e refrescar certas memórias enferrujadas, como a de uma senhora entrevistada que disse: “Para mim, é aquele senhor escritor que vive em Espanha… não me lembro o nome…”&lt;br /&gt;Relativamente à lista que a RTP disponibilizou, de início não constava o nome de Salazar. Levantaram-se logo as vozes discordantes e acusadoras de “censura histórica”, esquecendo-se que a lista apresenta sugestões e não as opções obrigatórias de escolha. Uma rápida leitura da lista mostra que não são nomeados todos os políticos relevantes (por bons e maus motivos) da nossa história. Posteriormente, lá foi incluído o dito cujo. Sobre isso, concordo inteiramente com o Professor Marcelo Rebelo de Sousa quando disse hoje nas suas “Escolhas” que a diferença entre a democracia e a ditadura, é que a ditadura não permite a censura a si mesma enquanto a democracia permite a crítica a essa mesma democracia.&lt;br /&gt;Na verdade acho que me estou a alongar demasiado, visto que não foi este o objectivo principal que me levou a escrever o presente texto. Durante o tal prelúdio ao programa em questão, diversas pessoas foram entrevistadas e convidadas a dar a sua opinião. Uma jovem (entre os 15 a 17 anos) respondeu convictamente: “Cristiano Ronaldo!” Reconhecendo a sua total liberdade e validade de opinião, não posso deixar de dizer que achei deprimente. Até pode ser que tenha dito o primeiro nome que lhe veio à cabeça, mas é triste que a primeira coisa que venha à cabeça de uma pessoa, quando questionada sobre uma personalidade relevante, seja o nome de um puto mimado e com mau feitio, que a única e melhor (?) coisa que faz pelo país é marcar golos.&lt;br /&gt;Ele escreveu algum livro? Se sim, deve ter sido algo como “Porque chorei quando Scolari me substituiu”. Ele é algum político, advogado, economista, cientista de renome? Ele tem obra feita? Ele é escultor, pintor, arquitecto, músico conhecido além-fronteiras? Ele lutou para que Portugal, de alguma forma, melhorasse? Ele enobreceu a língua mãe? Tem algum projecto humanitário?&lt;br /&gt;Penso que este programa vai ser interessante na medida em que vai fazer-nos ver que podemos ser bons, muito bons. Que existem, ou existiram, pessoas das quais nos podemos orgulhar de serem nossas compatriotas. E, espero eu, contribua para o enriquecimento cultural.&lt;br /&gt;A verdade é que vai ser uma escolha árdua. Não defini bem a minha escolha. Fernando Pessoa, Sophia de Mello Breyner, Infante D. Henrique, Mário Soares, Maria João Pires, Eça de Queiroz, Egas Moniz, José Saramago, Zeca Afonso, Salgueiro Maia, entre muitos outros.&lt;br /&gt;Cristiano Ronaldo? Definitivamente, não me parece.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-116095325408840461?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/116095325408840461/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=116095325408840461' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/116095325408840461'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/116095325408840461'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/10/os-grandes-portugueses.html' title='Os Grandes Portugueses'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-116058741271783652</id><published>2006-10-11T17:22:00.000Z</published><updated>2006-10-11T17:23:32.746Z</updated><title type='text'>Update</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Lia-se outro dia no Diário de Notícias que a Igreja vai abolir o Limbo, lugar para onde iam (parece que vão deixar de ir) as almas que, sem terem cometido pecados, morreram sem serem redimidas do pecado original. Por outras palavras, que não foram baptizadas. Nessa categoria inserem-se, por exemplo, as crianças que morreram sem serem baptizadas ou aquelas que viveram antes de Jesus Cristo. Bastante gente, na verdade. Segundo esta teoria, quem se encontrava no Limbo, estava privado da felicidade plena da visão de Deus, mas gozando de uma felicidade natural. Nas palavras do antigo catecismo de São Pio X: “não usufruem da companhia de Deus, mas também não sofrem.” Ora, a Comissão Teológica Internacional, reunida no Vaticano na semana passada, pretende abolir o Limbo, que nunca chegou a ser uma verdade de fé, mas pretendia frisar a importância do baptismo para evitar o Inferno. A batida técnica da persuasão pelo medo.&lt;br /&gt;        Agora das duas uma: São Pedro comunicou com a Comissão Teológica Internacional a dizer que o sistema Limbo estava saturado e portanto havia necessidade de promover alguém para os muitos lugares vagos dos eleitos de Deus.&lt;br /&gt;        Ou então alguém leu a Bíblia com mais atenção e tropeçou na inequívoca frase “Deixai vir a mim as criancinhas” e pôs-se a pensar se fazia algum sentido uma criança, que não teve tempo sequer de desobedecer aos pais, ser marcada pelo pecado original da mítica e inesquecível tentação de uma maçã.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-116058741271783652?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/116058741271783652/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=116058741271783652' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/116058741271783652'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/116058741271783652'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/10/update.html' title='Update'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115956491490839750</id><published>2006-09-29T21:19:00.000Z</published><updated>2006-09-29T21:21:54.926Z</updated><title type='text'>Segredos de um Sorriso</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;É considerado o retrato mais famoso da história da arte e até o quadro mais conhecido do mundo. Refiro-me, como é evidente, à Mona Lisa ou Gioconda (como preferirem). Com um poder de sedução que se assemelha, em fotografia, com os olhos penetrantes de Sharbat Gula (a conhecida capa da &lt;em&gt;National Geographic&lt;/em&gt;), a mulher apresenta um (meio) sorriso que prende o olhar.&lt;br /&gt;        É esse sorriso que intriga e continuará a intrigar gerações, levando à especulação e construção de várias teorias. Pensa-se que a mulher representada era Lisa Gherardini, a esposa de um comerciante florentino de sedas, Francesco del Giocondoque. Há quem sugira também que é Isabel de Aragão, Duquesa de Milão, para quem da Vinci trabalhou 11 anos. Recentemente, graças ao &lt;em&gt;Código da Vinci&lt;/em&gt;, tem-se expandido a teoria de que a Gioconda não é mais do que o próprio artista vestido de mulher. Sobre essa última teoria li a seguinte citação de Barnett Newman (1992): &lt;em&gt;“ Aqueles que põem um bigode na Mona Lisa, não a atacam a ela nem à arte, atacam o homem. Leonardo da Vinci. O que os irrita, é que com meia dúzia de pinturas ele tenha conquistado um lugar ímpar na história da arte, enquanto que eles, apesar da extensão da sua obra, têm dúvidas.”&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;        Quanto ao sorriso em si, Freud interpretou-o como a atracão erótica que da Vinci sentia pela mãe. Típico, ou não estaria a falar de Freud. Um algoritmo de computador, desenvolvido na Holanda, descreve o sorriso como sendo de uma mulher 83% feliz, 9% enjoada, 6% atemorizada e 2% incomodada.&lt;br /&gt;        Recentemente, o perito francês Bruno Mottin veio a público defender que a Mona Lisa sorri porque tinha sido mãe recentemente. Isto baseado em análises ao quadro que revelaram a existência de um véu que era usado em Itália no século XVI por uma mulher grávida ou que acabara de dar à luz.&lt;br /&gt;        A verdade é que muitos estudos voltarão a ser feitos, muitas perguntas formuladas à tímida e quase trocista Mona Lisa. Mas o segredo, se de facto existe algum, permanecerá no silêncio do autor e do modelo. E é precisamente aí que reside o fascínio deste quadro em particular e da arte (sob as suas mais variadas manifestações) em geral. O facto de nunca se ter a certeza do que o autor pretendia. O facto de a arte não ser apenas obra do autor, acabada, completa, finita, mas sim uma incógnita, uma permanente construção do público que o interpreta. Uma base física onde o público projecta a sua vida, as suas emoções, a sua noção de estética, em suma, a sua interpretação.         &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Para mim, a Mona Lisa tem um sorriso doce, plácido, condescendente e amoroso. E porque sorri? Não sei. Eu também sorrio muitas vezes sem saber muito bem porque o faço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115956491490839750?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115956491490839750/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115956491490839750' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115956491490839750'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115956491490839750'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/09/segredos-de-um-sorriso.html' title='Segredos de um Sorriso'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115874845026003973</id><published>2006-09-20T10:32:00.000Z</published><updated>2006-09-20T10:34:10.296Z</updated><title type='text'>A propósito do Gordon</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A questão das alterações climatéricas é, hoje em dia, incontornável. Se bem que apocalipticamente e com muitos erros científicos à mistura, o filme “O Dia Depois de Amanhã” teve bastante mérito por chamar a atenção das massas para esta realidade. Os verões tórridos e o aumento dos furacões, por exemplo, não são fruto do acaso. São fruto de anos selvagens em que construímos a nossa sociedade escrava de combustíveis fósseis.&lt;br /&gt;        Recentemente li um artigo bastante lúcido e inteligente, de Bill McKibben, ensaísta ambiental, publicada na National Geographic Portugal (do corrente mês), sobre a evolução que o conceito de ambientalismo terá de sofrer. Aqui ficam alguns excertos mais significativos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;“O velho paradigma alega que julgamos quase todas as questões com base na pergunta “Será que isto vai melhorar a economia?” Se a resposta for afirmativa, aceitamos o que quer que esteja em questão. […] Os combustíveis que possibilitaram o nosso crescimento são precisamente os mesmos que ameaçam agora a nossa civilização. Se queimarmos um litro de gás, libertamos mais de meio quilo de carbono para a atmosfera. […]&lt;br /&gt;        Tudo isto significa que necessitamos de uma nova ideia. Temos de parar de nos perguntar “Será que isto vai melhorar a economia?” Em vez disso, devemos perguntar-nos “Será que isto vai atirar mais carbono para a atmosfera?” Uma parte da mudança terá de ser tecnológica. Se as emissões de carbono custassem dinheiro aos produtores, construiríamos centrais eólicas muito mais depressa. Todos os carros seriam híbridos e todas as lâmpadas seriam fluorescentes. Todas as novas centrais a carvão teriam de separar o carbono dos gases de exaustão e enterrá-lo no subsolo. […]&lt;br /&gt;         Precisaríamos de uma espécie de ambientalismo cultural que levantasse questões mais profundas do que aquelas que estamos habituados a levantar. […] Desde que os investigadores iniciaram as sondagens de contentamento social, nos anos seguintes à Primeira Grande Guerra, a percentagem de americanos que se consideram “muito felizes” com a sua vida mantêm-se igual, ainda que o nível de vida material tenha praticamente triplicado durante o mesmo período. O facto de termos mais coisas não está a fazer-nos mais felizes, mas não conseguimos quebrar o ciclo que nos oferece mais coisas como o nosso único objectivo real. […]&lt;br /&gt;        Construímos a sociedade mais hiperindividualizada que o mundo alguma vez viu. […] Isso contribui também para a tal crescente insatisfação e para a nuvem de dióxido de carbono. Se toda a gente for de carro para todo o lado, será difícil reduzir as emissões. […] Imagine uma unidade eólica no fim da rua sem saída onde vive, alimentando as dez casas do bairro. Produziria imensa camaradagem e pouco carbono. […] O ambientalismo tornou-se com frequência um tema desconsolado. Mas um ambientalismo de convívio, que nos obrigasse a descobrir o que realmente queremos da vida oferece profundas possibilidades. […]        O ambientalismo não está a morrer. Com efeito, nunca foi tão necessário. Mas terá de se transformar em algo tão diferente que o antigo nome deixará de fazer sentido. Terá de defender um novo tipo de cultura e não um novo tipo de filtro; terá de prestar tanta atenção a oradores como presta a cientistas; terá de se preocupar tanto com a cenoura do mercado dos agricultores como se preocupa com o veado da tundra árctica. É isso que nos dizem as imagens das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono e as mensagens repetidas pelos investigadores que estudam a felicidade e a satisfação. Não precisamos de uma versão ligeiramente calibrada do mundo que habitamos agora; temos de começar a realizar mudanças à escala do problema que enfrentamos.”&lt;/em&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115874845026003973?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115874845026003973/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115874845026003973' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115874845026003973'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115874845026003973'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/09/propsito-do-gordon.html' title='A propósito do Gordon'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115832061550587600</id><published>2006-09-15T11:42:00.000Z</published><updated>2006-09-15T11:43:35.536Z</updated><title type='text'>Habemus polémica</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;De visita à Alemanha, Bento XVI proferiu terça-feira passada afirmações polémicas que vêm acentuar mais ainda o fosso, que já não é pequeno, existente entre as religiões. Segundo Bento XVI: “para a doutrina muçulmana, Deus é absolutamente transcendente. A Sua vontade, não se encontra ligada a nenhuma das nossas categorias, nem se quer à da razão.”&lt;br /&gt;        Pessoalmente não me parece que esta seja a melhor maneira de dar continuidade à política, se é que lhe podemos chamar assim, ecuménica do seu antecessor. Num mundo sulcado por conflitos religiosos, em que um simples cartoon pode levar ao ataque a embaixadas, as afirmações do Sumo Pontífice revelam uma enorme falta de diplomacia, o que já é apanágio do Vaticano.&lt;br /&gt;        Por outro lado, enquanto representante máximo de uma religião, Bento XVI não devia apelar muito à razão, dado que nenhuma religião é uma questão racional mas uma questão de fé, e que portanto, está para além da demonstração científica. Ou se acredita ou não. Agora, se o Sumo Pontífice se refere a questões de violência ou intolerância talvez esteja a pisar terreno perigoso ao fazer generalizações. Até porque o catolicismo não é perfeito.        Não estou de modo algum a desculpar acções bárbaras ou, por exemplo, a posição da mulher nas sociedades muçulmanas. Simplesmente considero não ser esse o melhor caminho para o diálogo e para a convivência saudável entre as religiões. Pois quem nunca pecou, que atire a primeira pedra.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115832061550587600?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115832061550587600/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115832061550587600' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115832061550587600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115832061550587600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/09/habemus-polmica.html' title='Habemus polémica'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115806795521624823</id><published>2006-09-12T13:26:00.000Z</published><updated>2006-09-13T21:45:54.430Z</updated><title type='text'>Requiem</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Recordo com clareza mesmo passados cinco anos. Não apenas as imagens que pareciam retiradas de uma produção de Hollywood mas também pormenores domésticos. Era um dia um pouco diferente: a minha mãe fazia anos e era o primeiro dia de aulas. No meio da agitação, o meu irmão, impassível, sentou-se no sofá e ligou a TV. E disse: “Um avião bateu no World Trade Center”.&lt;br /&gt;As imagens eram dantescas e os diferentes canais esforçavam-se por passar as imagens mais claras da situação. Desde a imagem em câmara lenta do embate na segunda torre, onde se podia ver o progresso infernal de uma massa de fogo até ao desespero puro de quem se lançava, sem esperança, das torres.&lt;br /&gt;Será talvez um cliché mas tenho de dizê-lo: para mim não foram apenas as torres que caíras. Aquilo que sustentava a segurança do meu mundo ficou também desfeito em pedaços. Com 14 anos, idade em que comecei a alargar horizontes e a interessar-me pela actualidade mundial, já me tinha começado a desiludir com o ser humano, consequência inevitável do crescimento. Aquele acto bárbaro, cruel, de uma violência atroz e gratuita foi a gota final. Ainda me arrepia o desprendimento e o fanatismo daqueles que entregaram a vida (para mim um bem precioso) para semear o medo e derramar sangue inocente. A queda das torres, símbolo da megalomania americana, fez-me ver quão frágil e insegura é a existência. Que a aniquilação pode resultar de um triste acaso numa manhã de trabalho, quando a vida quotidiana se cruza com a malvadez de objectivos sangrentos.&lt;br /&gt;O meu maior medo quando era uma criança pequena era a hipótese de uma guerra que me separasse dos meus pais e virasse a minha vida do avesso. Esse bichinho adormecido despertou na manhã de 11 de Setembro de 2001. Não da forma irracional própria de uma criança, mas com a clareza de uma maturidade cada vez maior, quando, mesmo superficialmente, nos apercebemos dos meandros obscuros da política, da tensão internacional, de guerras movidas por interesses duvidosos e por último da triste descoberta da essência humana.&lt;br /&gt;Ainda outro dia, com a ingenuidade própria de uma menina de 10 anos, a minha irmã comentou que o melhor seria esquecer o 11 de Setembro e não repetir as imagens que marcaram aquele dia. Não compreende que o trauma não passa se não se falar dele. Não compreende que a melhor maneira de homenagear quem morreu é manter as consciências despertas. Um dia, perceberá. Por enquanto consola-me a ideia que ela é feliz por ignorar a verdadeira dimensão das coisas. Inevitavelmente, vai acordar para a realidade. Mas espero que não de forma tão brutal como eu. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115806795521624823?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115806795521624823/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115806795521624823' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115806795521624823'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115806795521624823'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/09/requiem.html' title='Requiem'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115789717595823440</id><published>2006-09-10T14:05:00.000Z</published><updated>2006-09-10T14:06:15.976Z</updated><title type='text'>Civismo ao mais alto grau</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Imagine que está a dar um agradável passeio pela marginal de Ponta Delgada e, subitamente, sente fome. Apetece-lhe algo barato e pouco saudável, de maneira que opta por um cachorro quente, entre a variedade de oferta deste produto na referida zona. Compra o cachorro, come-o e depois fica com a lata do refrigerante e com o guardanapo de papel na mão. O que faz com eles? Muito civicamente, atira para a plataforma que se está a construir para as Portas do Mar.&lt;br /&gt;        De facto, não é preciso pensar muito para perceber que é essa a atitude de muitas pessoas quando por lá se passa e se vê uma enorme quantidade de latas de refrigerantes e uma massa branca de guardanapos de papel. E o mar já lá não chega de modo a camuflar as coisas.&lt;br /&gt;        A imagem de tal situação é deveras desagradável e revela uma falta de civismo gritante de quem o faz. Dá, como é compreensível, um terrível aspecto que impressiona tanto micaelenses como os muitos turistas que se passeiam por Ponta Delgada.&lt;br /&gt;        Agora pergunto eu: serão os caixotes do lixo invisíveis? Ou será que ficam à distância de 5 metros da pessoa que atira fora o lixo, e portanto exigem uma caminhada muito longa para depositá-los no sítio devido? Estarão todos os caixotes do lixo cheios?&lt;br /&gt;        A solução talvez passasse por aumentar o número de caixotes do lixo. Mas a verdadeira solução passaria sim pelo sentido cívico de quem suja e é comodista. É portanto, a meu ver, uma questão de mentalidade que só pode ser combatida com sucesso a partir das gerações mais novas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115789717595823440?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115789717595823440/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115789717595823440' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115789717595823440'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115789717595823440'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/09/civismo-ao-mais-alto-grau.html' title='Civismo ao mais alto grau'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115773125678887373</id><published>2006-09-08T16:00:00.000Z</published><updated>2006-09-13T14:53:53.870Z</updated><title type='text'>América à Mesa</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Hoje vamos melhorar a sua vida ensinado um truque de culinária americana: como fazer um (suposto) terrorista falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) Coloque o terrorista numa prisão em sítio indefinido. A melhor maneira de transportá-lo é em voos secretos.&lt;br /&gt;2) Mantenha o terrorista algemado.&lt;br /&gt;3) Se ele se recusar a falar vá seguindo os passos descritos até que se preste a dar informações.&lt;br /&gt;4) Sacuda-o com força.&lt;br /&gt;5) Aplique uma bofetada no rosto do terrorista.&lt;br /&gt;6) Seguidamente, aplique uma pancada na barriga provocando dor temporária mas não lesão interna.&lt;br /&gt;7) Mantenha o terrorista de pé e acordado durante 40 horas.&lt;br /&gt;8) Coloque-o numa sala a 10º Celsius, mantendo-o nu e molhado.&lt;br /&gt;9) Finalmente, aplique o “tapume de água”. Cubra-lhe o rosto com celofane e despeje água. Isso fá-lo-á vomitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estas pequenas dicas foram retiradas de uma reportagem de Brian Ross com a colaboração de ex-agentes da CIA. Segundo os mesmos o tempo record de resistência é de 2 minutos e meio e pertence a Khalid Sheikh Mohammed, suposto cérebro dos atentados de 11 de Setembro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se desejar optimizar os resultados, siga os conselhos do galardoado chefe Bush: ele não especifica os métodos usados porque “se o fizesse, ajudaria os terroristas a resistir ao interrogatório.”&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115773125678887373?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115773125678887373/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115773125678887373' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115773125678887373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115773125678887373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/09/amrica-mesa.html' title='América à Mesa'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115748776905003072</id><published>2006-09-05T19:56:00.000Z</published><updated>2006-09-05T20:22:49.103Z</updated><title type='text'>Freddie</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A par das diversas crises que grassam por este mundo fora (políticas, sociais, ambientais...) estou convicta que também se atravessa uma grave crise musical. E tanto é mais forte esta minha opinião por ser uma grande apreciadora e não conceber a vida sem música. Grosso modo, acho que a música que se produz actualmente é fast-food. Algo sem profundidade, que vende rápido e que deixa uma sensação estranha depois de a saborear. É música ouve-e-deita-fora. Aquilo que aparece é repetido até à exaustão na TV, na rádio (veja-se o exemplo de James Blunt que faz umas letras e rimas ridículas) e, em abono da verdade, em altos berros nas aparelhagens dos vizinhos e no carro de muita gente que ainda não se apercebeu do preço da gasolina. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Em comparação com estes pseudo-artistas de momento, existem músicas, compositores e grupos que são eternos. Que não enfastiam. E que não são esquecidos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Os Queen são um desses exemplos. Se estivesse vivo, hoje Freddie Mercury faria 60 anos. Morreu à 15 anos, vítima do vírus da SIDA.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Apenas há uns anos é que comecei a ouvir e a apreciar Queen. Não obstante o facto de ser a música em voga na época dos meus pais, considero Queen uma das maiores e melhores bandas de sempre. Lembro-me até que uma vez estava na escola a cantar baixinho "I want to break free" (uma das minhas preferidas) e uma colega olhou para mim escandalizada dizendo que a música era velhissíma. É de facto. Mas vale muito mais do que muita da música produzida actualmente. E prova disso, são as comemorações dos 60 anos do emblemático vocalista. Sendo o rosto da banda, Freddie, entre a adoração e a crítica, tinha uma forma muito singular e exuberante de pisar os palcos. Freddie será sempre recordado. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:Trebuchet MS;"&gt;Dizia: "Acho que ser natural e sincero é o que conta." Nada mais verdadeiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115748776905003072?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115748776905003072/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115748776905003072' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115748776905003072'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115748776905003072'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/09/freddie.html' title='Freddie'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115602636813897875</id><published>2006-08-19T22:24:00.000Z</published><updated>2006-08-19T22:26:08.153Z</updated><title type='text'>O pó debaixo do tapete</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Para os micaelenses, as noites de verão no Campo de São Francisco, Ponta Delgada, já não são uma novidade. Trata-se da dinamização de um espaço, por sinal bastante agradável, com diversas barraquinhas de venda e respectivas esplanadas. Lembro-me de há uns verões atrás, não sei precisar quantos, assisti lá a um pequeno concerto de música de câmara de grande qualidade.&lt;br /&gt;        O objectivo que está por trás deste projecto é, suponho eu, animar a noite de Ponta Delgada. Contudo, não posso deixar de pensar que, o facto de o Campo de São Francisco ser um espaço frequentado por toxicodependentes, alcoólicos, prostitutas e mendigos, não tenha sido um motivo para a dinamização desse espaço. Isto é, sou da opinião que a Câmara pretendeu, pelo menos de verão, que essas pessoas não frequentassem o Campo.&lt;br /&gt;        A verdade é que isso não altera em nada o facto de existirem esses grupos problemáticos. Empurrando-os para outros sítios, cria-se a ilusão que não existem. Como alguém que varre o chão e põe o pó debaixo do tapete. Ele continua lá, mas não é visível às visitas.&lt;br /&gt;        Pergunto-me eu: o que é que é feito para ajudar essas pessoas? O que é que é feito, por exemplo, pelos mendigos que procuram abrigo nas portas das lojas e cujos proprietários ficam mais preocupados com o aspecto do que com o frio e a fome que os primeiros passam.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115602636813897875?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115602636813897875/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115602636813897875' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115602636813897875'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115602636813897875'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/08/o-p-debaixo-do-tapete.html' title='O pó debaixo do tapete'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115504428918443927</id><published>2006-08-08T13:36:00.000Z</published><updated>2006-08-08T13:40:53.833Z</updated><title type='text'>Avada Kedavra</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A conhecida série “Harry Potter” está a chegar ao fim. J. K. Rowling, a autora, está a escrever o 7º e último livro, que ainda não tem nome nem data prevista para o lançamento.&lt;br /&gt;Actualmente a autora tem vindo a dizer que (mais) duas personagens importantes da série vão morrer, não pondo de parte a hipótese de matar o seu herói. Disse também que admirava escritores como Agatha Christie e Sir Arthur Conan Doyle que assassinaram as suas personagens principais (respectivamente Poirot e Sherlock Holmes) de forma a que nenhum outro escritor se apoderasse delas.&lt;br /&gt;Ora essa sugestão está a causar uma verdadeira histeria entre os fãs do feiticeiro. Ao que parece, dois outros escritores, Stephen King e John Irving, pediram-lhe pessoalmente que não matasse Harry Potter.&lt;br /&gt;Como fã da série, desejo apenas que o último livro seja melhor que os dois anteriores (&lt;em&gt;A Ordem da Fénix&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;O Príncipe Misterioso&lt;/em&gt;). Não sendo totalmente maus (afinal é Harry Potter) fiquei com a sensação que são livros um pouco ocos, escritos tendo mais em vista a quantidade do que a qualidade. Por mim, Rowling até podia fazer picadinho de Harry Potter e dar de comer ao Voldemort (o vilão da série). Desejo um bom final, o que não significa que tenha de seguir o convencional “e viveram felizes para sempre”.&lt;br /&gt;Mesmo que a autora mate o herói, vai sofrer tanta pressão dos fãs que vai acabar por ressuscitá-lo, inventado um trinta e um, tal como Conan Doyle fez.&lt;br /&gt;Portanto, penso que as pistas veladas que Rowling tem vindo a lançar sobre o último livro servem apenas para garantir que o próximo lançamento faça história e que a pottermania atinja o seu auge. Em poucas palavras: está a fazer publicidade.&lt;br /&gt;Afinal tem que combater o facto de a Igreja considerar os seus livros "uma subtil sedução que passa despercebida e tem como resultado o enterro da alma cristã antes mesmo que essa possa ter-se desenvolvido."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Nota: Avada Kedavra é o feitiço do assassínio no mundo de Rowling)&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115504428918443927?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115504428918443927/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115504428918443927' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115504428918443927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115504428918443927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/08/avada-kedavra.html' title='Avada Kedavra'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115482171983393137</id><published>2006-08-05T23:45:00.000Z</published><updated>2006-08-06T20:56:23.810Z</updated><title type='text'>Se a alma não é pequena</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Segundo a Ministra da Educação, a repetição dos exames nacionais de Química e Física “valeu a pena” porque:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;· O número de estudantes com positiva a Química duplicou. Isto, segundo ela, porque tinham realizado uma prova semelhante poucos dias antes. Já para Física o argumento não é válido porque a taxa de reprovação subiu de 67% para 70%. Certamente os meninos já tinham esquecido as fórmulas decoradas a cuspo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;· Mais de quatro mil alunos já poderão aceder à faculdade. Sra Ministra, os reitores agradecem. Agora vamos ver como se dão os meninos habituados a milagres governamentais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perguntemos agora se “valeu a pena” aos estudantes que:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;· Tiraram boas notas na 1ª fase e concorrem em pé de igualdade com aqueles que repetiram o exame.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;· Optaram por fazer os referidos exames em 2ª fase e que portanto só tiveram uma oportunidade. Maria de Lurdes Rodrigues defende que a opção foi deles. Sim de facto. Mas essa decisão é sempre baseada no facto de que as hipóteses são equivalentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que pode parecer conspirativo, mas não me espantaria nada se se viesse a descobrir que por detrás desta decisão estava um filhote de papás influentes que se espetou em Química e portanto já não entrava em Medicina.&lt;br /&gt;Ao que parece, na conferência de imprensa a Ministra frisou várias vezes que “valeu a pena”. Não sabia que apreciava tanto Pessoa. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115482171983393137?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115482171983393137/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115482171983393137' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115482171983393137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115482171983393137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/08/se-alma-no-pequena.html' title='Se a alma não é pequena'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115330387704343195</id><published>2006-07-19T10:08:00.000Z</published><updated>2006-07-19T10:11:17.066Z</updated><title type='text'>A Teoria da Relatividade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Até uma certa idade, a maneira umbilical de perspectivar a vida e o mundo é normal, sendo um fenómeno estudado em Psicologia do Desenvolvimento. No entanto, com o alargar dos horizontes característico da maturidade parece que insistimos teimosamente no mesmo prisma. Desta vez não por infantilidade, mas por comodidade.&lt;br /&gt;        Um ponto em que, de uma maneira ou outra todos temos telhados de vidro, é no facto de nos queixarmos por tudo e por nada. Porque chove e queremos ir à praia. Porque calçamos 37 e só há sapatos 38. Porque temos peso a mais. Porque detestamos o nosso patrão. Porque temos políticos que volta e meia parecem intelectualmente diminuídos. Porque Portugal não é o país que todos desejávamos que fosse.&lt;br /&gt;        Sei que estão a pensar que estou a contradizer-me de uma forma absurda. Admito que sim. Mas a verdade é que em termos relativos somos mais afortunados do que os libaneses, israelitas, timorenses, iraquianos, etc.&lt;br /&gt;        Se um golpe de estado tornasse Portugal numa ditadura acendíamos velas ao Governo actual. Se fossemos bombardeados choraríamos pelo nosso antigo e medíocre país. Não sendo isto uma justificação para nos tornarmos permissivos a aberrações do dia-a-dia, é simplesmente uma maneira, na minha opinião, de nos tornarmos menos egoístas e mais realistas.&lt;br /&gt;        Peço que não me interpretem mal, não estou a fazer juízos de valor. Aliás, confesso que me obrigo a ver em cada uma das n notícias de atentados no Médio Oriente um crime contra a humanidade e não me habituar ao que lá é hábito.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115330387704343195?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115330387704343195/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115330387704343195' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115330387704343195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115330387704343195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/07/teoria-da-relatividade.html' title='A Teoria da Relatividade'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115314211851869485</id><published>2006-07-17T13:14:00.000Z</published><updated>2006-07-17T13:15:18.536Z</updated><title type='text'>Sanguessugas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Apesar do respeito que tenho pelas crenças e crendices das pessoas, uma coisa que me enoja profundamente é a maneira como outros se aproveitam disso para fazer uns bons trocos. Pior ainda, aproveitam-se da fragilidade, insegurança, desespero, e porque não dizê-lo, da ignorância das pessoas para extorquir-lhes dinheiro. É de facto um negócio altamente rentável e a prova disso é que bruxos, adivinhos, cartomantes, e coisas que tais, crescem por aí como cogumelos. Sem dúvida, um negócio a que o Ministério das Finanças devia estar atento e cobrar impostos, já que os tempos são de “aperto de cinto” (mesmo que para isso se tenha de fazer novos furos).&lt;br /&gt;        Uma outra variante é a associação com movimentos religiosos e seitas. Um exemplo concreto é que há uns tempos chegou-me a casa um folheto deveras interessante e cómico, sob a aparência de inquérito, com supostos “problemas espirituais” que o inquirido sentia, devendo levar o folheto a uma sessão de “Tratamento de Alma” na Igreja Universal do Reino de Deus.&lt;br /&gt;        Uma breve leitura chegou para que o meu espírito científico se revoltasse contra tanta parvoíce, principalmente porque na maioria dos itens a solução será: consulte um psiquiatra.&lt;br /&gt;        Ora vejam lá:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;·        Desejo de suicídio&lt;br /&gt;·        Não tem sorte no amor&lt;br /&gt;·        Ouve vozes&lt;br /&gt;·        Desunião da família&lt;br /&gt;·        Sente uma carga negativa&lt;br /&gt;·        Dores de cabeça constantes&lt;br /&gt;·        Sente que está sendo perseguido&lt;br /&gt;·        Alguém lhe lançou uma praga&lt;br /&gt;·        Causa bloqueada em tribunal&lt;br /&gt;·        Sente que está à beira da falência&lt;br /&gt;·        Uma pontada no peito ou no corpo&lt;br /&gt;·        Dores no corpo sem motivo aparente&lt;br /&gt;·        Doenças incuráveis ou sem diagnóstico&lt;br /&gt;·        Sente a presença de alguém que não vê&lt;br /&gt;·        É traído por amigos e familiares&lt;br /&gt;·        Sente que algo de mau lhe vai acontecer&lt;br /&gt;·        Pessoas desejam o seu mal&lt;br /&gt;·        O seu dinheiro desaparece sem explicação&lt;br /&gt;·        Sente que há um impedimento no seu caminho&lt;br /&gt;·        Passa pelo mesmo problema que um falecido familiar passou&lt;br /&gt;·        Depressão&lt;br /&gt;·        Pesadelos frequentes&lt;br /&gt;·        Está à beira do divórcio&lt;br /&gt;·        Nervosismo&lt;br /&gt;·        Problemas económicos&lt;br /&gt;·        Dominado pelo vício&lt;br /&gt;·        Stress muito grande&lt;br /&gt;·        É vítima de bruxedo&lt;br /&gt;·        É muito invejado&lt;br /&gt;·        Acidentes constantes&lt;br /&gt;·        Endividado&lt;br /&gt;·        Desmaios&lt;br /&gt;·        Vê vultos&lt;br /&gt;·        Insónia&lt;br /&gt;·        Azar&lt;br /&gt;·        Perda de interesse por coisas que antes apreciava&lt;br /&gt;·        Tristeza e choro sem motivo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coitados daqueles que vão a essas sessões: levam uma lavagem cerebral e possivelmente ainda perdem dinheiro. E continuam na mesma.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115314211851869485?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115314211851869485/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115314211851869485' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115314211851869485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115314211851869485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/07/sanguessugas.html' title='Sanguessugas'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115283317742557707</id><published>2006-07-13T23:24:00.000Z</published><updated>2006-12-03T14:54:23.573-01:00</updated><title type='text'>Sobre a Educação III</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Juro que já tinha dado por encerrada a série “Sobre a Educação” mas as notícias de hoje sobre os exames nacionais fizeram alterar a minha decisão, mesmo correndo o risco de aborrecer os meus leitores.&lt;br /&gt;Começando pelas provas de 9º ano, cabe aqui o reparo positivo de uma descida de 70% de níveis inferiores a 3 registados em 2005 nas provas de Matemática para os actuais 64%. Contudo, muito longe das estatísticas desejadas, mas Matemática, infelizmente, é o sempiterno problema, que na minha opinião deriva, em parte, da mentalidade fortemente enraizada do bicho papão.&lt;br /&gt;Já nas provas de Língua Portuguesa registou-se o dobro de níveis negativos (46%). Muitas são as acusações feitas à prova, nomeadamente a existência de erros, mas o facto é que a língua mãe anda pelas ruas da amargura. Considero uma vergonha os atentados à língua que todos os dias se cometem, principalmente aqueles vindos de pessoas com maior grau de instrução. Sempre que alguém diz “a gente somos” ou “eu vi ela” Camões, Eça, Pessoa e tantos outros dão saltos no caixão. É preocupante (e já vi isto com os meus próprios olhos porque a minha mãe é professora de Português) constatar que os alunos escrevem nas provas da mesma forma que escrevem as mensagens de telemóvel. Dá vontade de dizer LOL (acrónimo de &lt;em&gt;laugh out loud&lt;/em&gt; – gargalhada sonora) para evitar chorar. Dão facadas na língua e nem reparam.&lt;br /&gt;Por outro lado, e falando globalmente, a maldita cultura da mediocridade e a lei do menor esforço vigoram, estando bem patente no discurso de um aluno do 9º ano entrevistado pelo Diário de Notícias que dizia: “Para passar, podia ter 2 no exame de Português e 1 no exame de Matemática, por isso nem me dei ao trabalho. Não vou estudar só para ter melhor nota, não é?"&lt;br /&gt;Relativamente às provas do 12º ano, os alunos de Química e Física poderão repetir as provas em segunda fase sem serem prejudicados aquando da candidatura, isto é, podendo concorrer na primeira fase. Para quem não está a par das regras, um aluno que repita a prova candidata-se em segunda fase, o que significa que concorre para as vagas que não foram preenchidas no primeiro concurso. Para além da injustiça que esta medida representa relativamente aos alunos que conseguiram bons resultados, isso só prova a incompetência de quem andou a realizar os exames e não lançou provas modelo. É impressionante como é que essas abróteas levam um ano inteiro a estruturar as provas e conseguem a habilidade de colocar erros e questões altamente polémicas. Mais ainda, têm a suprema arrogância de não reconhecer um erro mesmo quando a esmagadora maioria está contra.&lt;br /&gt;E, em jeito de conclusão desta série de textos, só me resta concluir que a Educação neste país está a afundar-se.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115283317742557707?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115283317742557707/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115283317742557707' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115283317742557707'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115283317742557707'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/07/sobre-educao-iii.html' title='Sobre a Educação III'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115274409693319186</id><published>2006-07-12T22:40:00.000Z</published><updated>2006-07-13T12:30:16.116Z</updated><title type='text'>O Elogio da Sensatez</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Para não incorrer no risco de ser acusado de criticar indiscriminadamente tudo e todos, apenas pelo simples capricho ou presunção de ter opinião contrária, aquele que sabe criticar também deve saber elogiar em igual proporção.&lt;br /&gt;E por isso mesmo, aqui fica o meu aplauso de pé ao ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, pela sensatez da sua opinião sobre a pretensão da Federação Portuguesa de Futebol: “Num momento em que o País tem de fazer sacrifícios, acho que esses sacrifícios são para todos”.&lt;br /&gt;Refiro-me à intenção de isenção de IRS para o prémio que a FPF vai atribuir a cada jogador da selecção nacional, no valor de 50 mil euros.&lt;br /&gt;Pessoalmente, acho que a FPF aproveitou a onda de patriotismo e pensou: “Pode ser que concordem.”. Como que atira o anzol, acreditando mais em golpes de sorte do que na evidência da escassez de peixe.&lt;br /&gt;A devida vénia também para o fiscalista Saldanha Sanches que considera essa pretensão um insulto para quem paga impostos e tem baixos salários.&lt;br /&gt;São considerados heróis. Ganham milhões a dar pontapés numa bola. Queimam neurónios para tentar articular: “A selecção jogou bem, mereceu ganhar.” Apelam ao patriotismo. E agora discute-se a isenção de imposto, dinheiro esse que em termos relativos não passa de trocos.&lt;br /&gt;Numa sociedade ideal, essa discussão nem teria lugar. Mas num conjunto de loucos e alienados, resta mesmo elogiar os sensatos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115274409693319186?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115274409693319186/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115274409693319186' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115274409693319186'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115274409693319186'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/07/o-elogio-da-sensatez.html' title='O Elogio da Sensatez'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115231063411373424</id><published>2006-07-07T22:15:00.000Z</published><updated>2006-07-07T22:17:14.130Z</updated><title type='text'>República das Bananas</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Ainda há dias o Presidente da República falava sobre a “fuga de cérebros” portugueses para o estrangeiro. Sendo lamentável não deixa contudo de ser compreensível. Quando não é falta de apoios financeiros à investigação é outra coisa qualquer que acaba por aborrecer as mentes iluminadas de Portugal.&lt;br /&gt;        Hoje uma antropóloga viu o seu projecto boicotado, provavelmente devido à falta de organização ou excesso de burocracia.&lt;br /&gt;        Especificando: a dita senhora, juntamente com uma equipa de investigadores estrangeiros (espanhóis e franceses) e portugueses, ia exumar os restos mortais de D. Afonso Henriques, o venerável fundador da pátria, de modo a traçar o seu perfil biológico e esclarecer pormenores polémicos como a sua altura, robustez física, problemas de saúde e idade, através de variadas técnicas.&lt;br /&gt;        À boa maneira portuguesa, e após ter obtido desde meados de Junho a autorização da Diocese de Coimbra e da delegação do Ippar (Instituto Português do Património Arquitectónico), a investigadora foi informada do cancelamento da exumação, alegadamente porque &lt;em&gt;“não foram cumpridos todos os procedimentos adequados e necessários, não tendo sido, nomeadamente colhida a autorização da direcção deste instituto [Ippar] nem da senhora ministra da cultura, para a realização da referida exumação”.&lt;/em&gt; Pelo que a se decidiu &lt;em&gt;“cancelar o referido acto e diligenciar no sentido de apurar os antecedentes relativos a todo este processo”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;        Na prática isso poderá significar a perda de patrocínios privados, a indisponibilidade de um membro da equipa (que se dirige agora para o México) e o atraso do projecto.&lt;br /&gt;        Agora digam-me: se já tinha sido concedida a autorização dos organismos competentes, qual o porquê deste cancelamento? Será que D. Duarte Pio não foi contactado? Houve um protesto de senhoras de meia-idade contra o pecado de exumar um cadáver? Já sei: a senhora ministra da Cultura teve um sonho profético sobre a maldição que D. Afonso Henriques ia lançar sobre o Governo por autorizarem que um investigador espanhol remexesse nos seus cadavéricos e reais despojos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115231063411373424?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115231063411373424/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115231063411373424' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115231063411373424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115231063411373424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/07/repblica-das-bananas.html' title='República das Bananas'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115205300380559528</id><published>2006-07-04T22:42:00.000Z</published><updated>2006-07-04T22:43:23.820Z</updated><title type='text'>Sobre a Educação II</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Porque estamos a falar da formação de gerações inteiras, e portanto um tema de interesse colectivo, volto ao mesmo tema, agora numa outra perspectiva.&lt;br /&gt;        Um estudo recente efectuado a 300 alunos do ensino básico, de todo o país, quer do ensino publico quer do privado, mostra que para 80% dos inquiridos os TPC’s (trabalhos para casa) constituem uma fonte de stress, mais especificamente, são uma fonte de preocupação devido à dificuldade em realizá-los.&lt;br /&gt;        Daí que a Sra. Ministra da Educação defenda que sejam abolidos os TPC’s e que estes sejam transformados num trabalho a realizar na escola com a ajuda dos professores.&lt;br /&gt;        Depois há os que dizem que os trabalhos de casa são uma sobrecarga para muitas famílias. Pois, de facto imagino que seja muito mais agradável ver as novelas da noite do que apoiar as crianças no estudo.&lt;br /&gt;        Que muitas famílias não sejam capazes de apoiar os seus filhos nos trabalhos de casa isso é empírico, principalmente as de meios menos favorecidos. Mas, na minha opinião, os trabalhos de casa são um modo de praticar os conhecimentos adquiridos, não um modo de adquirir novos conhecimentos. Portanto, isso implica que as dificuldades devem ser resolvidas na aula com os professores e não com os pais. São mais horas na escola, através da resolução desses TPC’s camuflados que essas dificuldades serão resolvidas? Seria óptimo.&lt;br /&gt;        Na minha opinião os trabalhos de casa não devem desaparecer, pela simples razão de que são eles, que numa fase precoce ajudam a estabelecer hábitos de trabalho e métodos de estudo. Não cabe na cabeça de ninguém que uma criança de 6 anos, do primeiro ano, resolva por si só estudar as vogais que deu na aula. Os trabalhos de casa devem estabelecem rotinas, responsabilidades e prioridades.&lt;br /&gt;        Mais: são fonte de stress? Pois que sejam. Há que aprender a lidar com as contrariedades, isso faz parte do processo de crescimento de qualquer criança. Estão stressados porque não podem ir brincar ou ver “Morangos com Açúcar” (onde pelos vistos os estudantes saem todos as noites e nunca estudam)?&lt;br /&gt;        Apenas uma ressalva: todos sabemos que se cometem exageros e que a exigência e a quantidade dos trabalhos devem corresponder ao nível dos alunos. Mas isso está no bom senso dos professores, o que poderá ser discutível.&lt;br /&gt;        Não será com paninhos quentes que vamos ajudar as crianças a crescer e tornarem-se jovens responsáveis, conscientes da necessidade de estudar. Se com o actual método, os meninos chegam ao 5º ano e não estudam nada, imagine-mos o que será se deixar de haver TPC’s. &lt;br /&gt;        Só falta é virem com teorias de traumas, análises freudianas e não sei mais o quê como desculpa para o insucesso e a falta de motivação dos estudantes.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115205300380559528?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115205300380559528/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115205300380559528' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115205300380559528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115205300380559528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/07/sobre-educao-ii.html' title='Sobre a Educação II'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115184478093491269</id><published>2006-07-02T12:41:00.000Z</published><updated>2006-07-03T13:10:04.733Z</updated><title type='text'>Sophia</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Regra geral, os exames nacionais deixam uma marca indelével, tanto por bons como por maus motivos. Principalmente o de Português, uma vez que, normalmente, é o primeiro a ser realizando e portanto define o estado psicológico com que o estudante encara as provas seguintes.&lt;br /&gt;No meu exame de Português (1ª fase, 2005) saiu um poema de Sophia de Mello Breyner Andresen para analisar, autora que, durante as minhas aulas, a professora chamava familiarmente Sophia, enquanto os restantes eram nomeados pelo seu nome completo ou simplesmente pelo apelido.&lt;br /&gt;Ela era apenas Sophia. Provavelmente a tratávamos assim devido ao seu nome longo e estrangeirado, ou então porque já era uma figura conhecida desde os tempos mais infantis quando lia-mos “A Menina do Mar” ou “O Cavaleiro da Dinamarca”.&lt;br /&gt;Sempre gostei dos poemas de Sophia. Apesar de serem de interpretação nem sempre fácil, o seu tema recorrente do mar faz eco na minha personalidade de ilhéu.&lt;br /&gt;Assim sendo, e porque há dois anos atrás Sophia deixou este mundo (não totalmente porque a verdadeira arte imortaliza o artista) transcrevo aqui o poema do meu exame nacional de Português, numa singela mas justa homenagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Em todos os jardins&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em todos os jardins hei-de florir,&lt;br /&gt;Em todos beberei a lua cheia,&lt;br /&gt;Quando enfim no meu fim eu possuir&lt;br /&gt;Todas as praias onde o mar ondeia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia serei eu o mar e a areia,&lt;br /&gt;A tudo quanto existe me hei-de unir,&lt;br /&gt;E o meu sangue arrasta em cada veia&lt;br /&gt;Esse abraço que um dia se há-de abrir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Então receberei no meu desejo&lt;br /&gt;Todo o fogo que habita na floresta&lt;br /&gt;Conhecido por mim como um beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então serei o ritmo das paisagens,&lt;br /&gt;A secreta abundância dessa festa&lt;br /&gt;Que eu via prometida nas paisagens.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115184478093491269?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115184478093491269/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115184478093491269' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115184478093491269'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115184478093491269'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/07/sophia.html' title='Sophia'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-115092296741005453</id><published>2006-06-21T20:47:00.000Z</published><updated>2006-06-21T20:50:50.066Z</updated><title type='text'>Sobre a Educação I</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Actualmente muito se fala sobre a avaliação dos professores pelos encarregados de educação, mais uma proposta brilhante da Sra. Ministra Maria de Lurdes Rodrigues e dos seus pedagogos de gabinete, que, certamente, entre um aviãozinho de papel ou outro que atiram às secretárias dos colegas, lá vão conseguindo extrair essas pérolas das suas mui iluminadas inteligências.&lt;br /&gt;A aparente justificação desta medida está na acusação precipitada e imprudente de que os responsáveis pelo insucesso escolar dos alunos são os professores. E digo precipitada e imprudente por uma simples razão: o insucesso escolar é um fenómeno complexo que não pode ser abordado sob uma perspectiva tão simplista e redutora.&lt;br /&gt;Nunca dei aulas, nem pretendo, mas a experiência ensinou-me que um professor pode pintar-se de ouro ou fazer o pino, que se um aluno não estiver motivado, não será por isso que passará a estar. Mas não pretendo aqui dissertar sobre este triste fenómeno. Ficará para uma próxima oportunidade.&lt;br /&gt;A avaliação dos professores é importante, mas ser feita pelos encarregados de educação é um absurdo. A avaliação seria tendenciosa, injusta e incompetente. Muito se ouve falar sobre casos em que os meninos vão carpir junto dos papás porque foram repreendidos por falarem para o lado ou porque não atingem a positiva, sabe-se lá, talvez porque o professor não gosta da cor dos seus olhos. E os papás muito babadinhos levantam-se em armas porque: “Ai já viu, aquele professor é tão injusto, e logo com ele que é tão aplicadinho…” Não direi que todas as queixas sejam injustificadas, mas convenhamos que há muito bom menino que tende a interpretar a realidade como mais lhe convém.&lt;br /&gt;A dita avaliação é importante na medida em que poderia representar um aumento no grau de excelência na educação. Contudo isso não implica um aumento proporcional no sucesso escolar. Estamos a falar de duas coisas distintas.&lt;br /&gt;Comecei a entender a importância e a necessidade dessa avaliação devido a uma situação à qual assisti durante dois anos, quando frequentava o secundário.&lt;br /&gt;Uma professora minha, cujo nome não é relevante, tinha um nível de assiduidade bastante mau. Durante um período ela chegou a leccionar cerca de 1/3 das aulas previstas. Resultado? No 11º ano não chegámos a dar “Viagens na minha Terra” nem “Os Maias”. O que chegou a ser leccionado era-o de um modo epidérmico. Lembro-me de numa aula ter iniciado um novo tema e de na aula seguinte estar a fazer teste sobre essa matéria. Os motivos pelos quais ela faltava, legítimos ou não, a mim pouco me interessavam, porque o resultado prático era que as aulas não funcionavam de forma eficiente. Ela alegava muitos problemas. Mas que culpa tínhamos nós disso?&lt;br /&gt;De facto, sou a favor da avaliação, mas por organismos competentes e objectivos. Caso contrário, incorrer-se-á em injustiças, cunhas, apadrinhamentos e odiozinhos, e disso já temos que chegue.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-115092296741005453?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/115092296741005453/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=115092296741005453' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115092296741005453'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/115092296741005453'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/06/sobre-educao-i.html' title='Sobre a Educação I'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114994119295689809</id><published>2006-06-10T11:55:00.000Z</published><updated>2006-06-10T12:19:57.720Z</updated><title type='text'>Falta Cumprir</title><content type='html'>&lt;a name="o_infante"&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;O INFANTE&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.&lt;br /&gt;Deus quis que a terra fosse toda uma,&lt;br /&gt;Que o mar unisse, já não separasse.&lt;br /&gt;Sagrou-te, e foste desvendando a espuma.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;E a orla branca foi de ilha em continente,&lt;br /&gt;Clareou, correndo, até ao fim do mundo,&lt;br /&gt;E viu-se a terra inteira, de repente,&lt;br /&gt;Surgir, redonda, do azul profundo. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;Quem te sagrou criou-te português.&lt;br /&gt;Do mar e nós em ti nos deu sinal.&lt;br /&gt;Cumpriu-se o Mar, e o Império se desfez.&lt;br /&gt;Senhor, falta cumprir-se Portugal!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fernando Pessoa, &lt;em&gt;Mensagem&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quem sabe, seria boa ideia deixarmo-nos de patriotismos de bandeira aquando de Europeus e Mundiais de Futebol e passarmos a um patriotismo mais prático. Portugal não se encontra numa situação fácil, mas choros e lamentos não levam a lado nenhum nem atenuam o défice. Deixemos a mito messiânico. Se numa manhã de nevoeiro, D. Sebastião regressasse provavelmente íamos todos combater para o Iraque.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114994119295689809?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114994119295689809/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114994119295689809' title='10 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114994119295689809'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114994119295689809'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/06/falta-cumprir.html' title='Falta Cumprir'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114945740121659041</id><published>2006-06-04T21:42:00.000Z</published><updated>2006-06-04T21:43:21.246Z</updated><title type='text'>Cronos Cruel</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;        O tempo é algo difícil de definir. Há quem prefira contá-lo de segundos a anos, sem contudo entender que o tempo é a medida da intensidade das nossas experiências e não a sua duração. Talvez por isso ele seja tão cruel: dos minutos que se arrastam durante uma espera até às horas que voam em agradáveis afazeres ou companhias. Como se algo malévolo e perverso pretendesse arrastar a ansiedade, o aborrecimento ou o sofrimento e encurtasse o prazer, o gozo e a alegria, manipulando dolorosamente não os nossos patéticos relógios, mas algo muito superior, intrínseco ao próprio Universo.&lt;br /&gt;        Desde uns tempos a esta parte, sinto que o tempo foge de mim e essa sensação é no mínimo frustrante. Como se os dias fossem embalados na preocupação constante de ter sempre algo a fazer. Este ano lectivo (porque a minha vida é contada em anos lectivos e não anos civis) passou com uma velocidade incrível. Lembro-me ainda das primeiras conversas com os meus colegas de curso em que, ainda desconfiados de um conhecimento recém-adquirido, apenas aflorávamos terrenos seguros de notas, exames nacionais e expectativas do curso.&lt;br /&gt;        Passaram meses sem darmos por isso. E julgo que a sensação é extensiva a todos.&lt;br /&gt;        Cronos continua ser o deus impiedoso que devora os filhos, como há séculos os gregos acreditavam quando construíram o enredo intricado dos elementos do seu panteão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(A sinceridade obriga-me a dizer que durante o mês de Junho não voltarei a escrever no blog. Se tudo correr como previsto, estarei de regresso em Julho. Até breve)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114945740121659041?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114945740121659041/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114945740121659041' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114945740121659041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114945740121659041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/06/cronos-cruel_04.html' title='Cronos Cruel'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114839252176538533</id><published>2006-05-23T13:54:00.000Z</published><updated>2006-05-26T16:42:44.160Z</updated><title type='text'>Como na Idade Média</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;I) Ainda na sequência da estreia mundial de O Código da Vinci, em Itália, uns senhores de extrema-direita convocaram uma queima de exemplares do livro que inspirou o referido filme. Na verdade, a iniciativa foi mais participada pelas pessoas que resolveram ir atirar tomates do que aqueles que estavam a recordar os bons velhos tempos em que o fogo era o meio de evitar a conspurcação da sociedade pela cultura e pelo pensamento cientifico, queimando os livros e condenando ao mesmo destino quem os escrevia e quem os lia. Foi de facto uma ideia muito interessante. Serviu ao menos para mostrar que numa Europa democrática e laica existem pessoas para as quais a palavra “tolerância” não consta do dicionário.&lt;br /&gt;Estive a pensar e talvez também faça uma fogueirinha, até porque eu não gosto nada de livros. Estive a analisar a minha estante e decidi queimar Harry Potter, Saramago, Dan Brown e Virgílio Ferreira. Alguém quer participar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;II) Fiquei bastante surpreendida quando li no domingo um artigo no DN sobre cirurgias de reconstrução do hímen – himenoplastias. Um cirurgião plástico referia que as realiza maioritariamente a senhoras em grande estado de ansiedade, geralmente do interior, que iam casar com um homem, mas que entretanto romperam o compromisso. Uma das questões que colocam a esse cirurgião prende-se com o facto de ele estar a participar numa farsa.&lt;br /&gt;A presidente da Associação para o Desenvolvimento das Mulheres Ciganas Portuguesas refere que nada pode restituir a dignidade e a honra a uma mulher que foi “desflorada”. O presidente da Associação Portuguesa para o Desenvolvimento da Etnia Cigana refere que “Se a mulher não vier nas devidas condições é rejeitada”. Ponto número 1: uma esposa não é um produto de supermercado que se estiver estragado se devolve. Ponto número 2: parece-me mais que estas instituições contribuem para o não desenvolvimento da etnia cigana. Ponto número 3: não consigo compreender como no nosso tempo a dignidade de um ser humano possa estar associada à sua intimidade sexual. Casar virgem devia ser uma opção e não uma imposição social.De facto a evolução da espécie foi muito cruel com as mulheres: para além de as ter criado, em geral, mais vulneráveis fisicamente, ainda as tinha de dotar de uma estrutura anatómica exclusiva pela qual a sociedade as cataloga como dignas ou não.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114839252176538533?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114839252176538533/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114839252176538533' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114839252176538533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114839252176538533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/05/como-na-idade-mdia.html' title='Como na Idade Média'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114821560210435153</id><published>2006-05-21T12:45:00.000Z</published><updated>2006-05-21T12:46:42.116Z</updated><title type='text'>Ecce Homo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Na cobertura das festas do Senhor Santo Cristo dos Milagres, vi ontem à noite uma entrevista a uma senhora à qual estavam a ser prestados serviços de enfermagem, visto que tinha dado a volta ao campo de São Francisco de joelhos, na sequência de uma promessa. A senhora apresentava os joelhos e o dorso dos pés em ferida, qual representação de Cristo crucificado. &lt;br /&gt;Para os que não conhecem os ritos que caracterizam este culto, os fiéis em momentos de angústia, sofrimento e aflição, fazem promessas, promessas essas pagas de diversas formas quando a graça pedida é concedida. Há quem ofereça jóias ou capas de veludo vermelho bordadas a ouro, engrossando assim o já riquíssimo tesouro da imagem. Outros prometem sacrifícios menos materiais, como ir descalço na procissão, carregar círios do seu peso ou altura, ou das medidas da pessoa para a qual pediram a protecção divina. Finalmente há quem prometa dar a volta ao Campo de São Francisco de joelhos, sobre o basalto da calçada. Este ano o tempo esteve sombrio, mas é frequente estar calor, pelo que o sacrifício ainda se torna mais violento. Algumas pessoas ficam em tão mau estado que são encaminhadas para o serviço de Cirurgia.&lt;br /&gt;As autoridades religiosas manifestam-se contra esta expressão de fé e gratidão tão dolorosa, mas ao que parece, o número de pessoas que optam por este tipo de promessas não diminui.&lt;br /&gt;Só quem assiste às festas sabe a imensidão de gente que adere às procissões. É um culto com mais de 300 anos que não morre apesar da crise religiosa que os padres tanto apregoam, sendo que estas são as maiores festas religiosas de Portugal. E porque será? Talvez porque a imagem represente mais compaixão, compreensão e tolerância para com as fraquezas humanas do que alguns dos clérigos, que por vezes mais não fazem do que censurar e ameaçar com o fogo perpétuo do Inferno as almas simples.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114821560210435153?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114821560210435153/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114821560210435153' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114821560210435153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114821560210435153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/05/ecce-homo.html' title='Ecce Homo'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114794396313365393</id><published>2006-05-18T09:18:00.000Z</published><updated>2006-05-18T09:19:40.246Z</updated><title type='text'>A Polémica da Vinci</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Depois de ter vendido milhares de cópias, de ter estado meses seguidos nos tops e de ter ascendido à categoria de best-seller, estreia hoje a adaptação cinematográfica de O Código da Vinci, de Dan Brown.&lt;br /&gt;Ainda antes de ter estreado, o filme já levanta uma enorme polémica ou não estaríamos a falar da adaptação de um livro controverso, o que por si só é garantia de salas de cinema esgotadas. Por todo o mundo têm surgido diversas reacções ao filme, reacções essas que têm o mesmo denominador comum: a intolerância. Só para citar os casos mais caricatos, no Brasil foi interposta uma providência cautelar ao filme e na Índia a cabeça de Dan Brown anda a prémio (isto é que são bons católicos…). Suponho que não valha a pena falar da reacção do Vaticano e da Opus Dei, porque isso seria “chover no molhado”.&lt;br /&gt;Foquemo-nos no livro, que é a origem de toda a problemática. Para os que ainda não leram, O Código da Vinci é um triller histórico que tem por base a hipotética relação marital entre Jesus Cristo e Maria Madalena. É um livro escrito de maneira inteligente, que origina uma leitura compulsiva e viciante. Não é de modo algum um aspirante a Nobel, como alguns já disseram. Na minha opinião o livro vale essencialmente por dois aspectos. O primeiro é que, numa sociedade onde predomina o machismo, machismo este com raízes inegavelmente ligadas à religião, a obra realça o papel do sagrado feminino nos cultos ancestrais. O outro aspecto prende-se ao facto de ser um livro que visa a abertura de espírito. Na minha óptica, O Código da Vinci não pretende mudar convicções religiosas mas sim apelar ao espírito crítico e à reflexão, até porque o final do livro é bastante aberto.&lt;br /&gt;A influência desta obra estende-se a vários níveis. Começando pelo mais óbvio, foi a reacção agressiva da Igreja. Se tivermos em conta que existem pessoas que acreditam em tudo o que lhes põem debaixo do nariz, a atitude do Vaticano pode ser, em certa medida, entendida. Entendida, mas na minha opinião, não aceite. Até porque ao censurar um livro, o Vaticano ofereceu uma excelente publicidade do mesmo. Dan Brown deve ter pulado de contente.&lt;br /&gt;Por outro lado, levou a um debate intenso, desde o mais básico “Já leste?” até a documentários. O interesse pelas origens da Igreja, suas primeiras décadas e Cristianismo primitivo aumentou. A religião é um tema na ordem do dia, e parece assim continuar, agora que o “Evangelho de Judas” surgiu.&lt;br /&gt;Por fim, basta entrar numa livraria para notar um boom de livros associados no estilo ou no tema ao Código da Vinci. O triller histórico está em voga e há uma infinidade de livros parasitas sobre a vida de Jesus e Maria Madalena, sobre os Templários, o Priorado de Sião, Leonardo da Vinci e sobre o próprio livro.&lt;br /&gt;Gosto de me pôr a imaginar Leonardo da Vinci no seu estúdio a dar pinceladas naquela que seria a sua obra mais famosa. Será que ele podia imaginar que o enigmático sorriso da Mona Lisa alimentaria tanta discussão? Sabendo que ele era um visionário e um homem à frente no seu tempo, não me parece muito absurdo pensar que sim. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114794396313365393?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114794396313365393/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114794396313365393' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114794396313365393'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114794396313365393'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/05/polmica-da-vinci.html' title='A Polémica da Vinci'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114773085239259983</id><published>2006-05-15T22:04:00.000Z</published><updated>2006-05-15T22:07:32.410Z</updated><title type='text'>Heróis do Mar</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;em&gt;“Um dia, uma senhora em estado de viúva recente, não encontrando outra maneira de manifestar a nova felicidade que lhe inundava o ser, e se bem que com a ligeira dor de saber que, não morrendo ela, nunca mais voltaria a ver o pranteado defunto, lembrou-se de pendurar para a rua, na sacada florida da sua casa de jantar, a bandeira nacional. E foi o que se costuma chamar meu dito, meu feito. E menos de quarenta e oito horas o embandeiramento alastrou por todo o país, as cores e os símbolos das bandeiras tomaram conta da paisagem (…). Era impossível resistir a um tal fervor patriótico, sobretudo porque, vindas não se sabia de onde, haviam começado a difundir-se certas declarações inquietantes, para não dizer francamente ameaçadoras, como por exemplo, Quem não puser a imortal bandeira da pátria à janela de sua casa, não merece estar vivo.”&lt;/em&gt; &lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;José Saramago, in &lt;em&gt;Intermitências da Morte&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;        Depois de termos assistido à proliferação de bandeiras nacionais, que rapidamente desbotavam ao sol veranil, aquando do Euro2004, a nova moda para este mundial são as camisolas da selecção.&lt;br /&gt;        Com uma publicidade tão emotiva, que quase leva às lágrimas qualquer português que venera a pátria e os seus símbolos, só me resta esperar que as camisolas sejam feitas de material mais resistente e duradouro. Sim, porque nada me demove da ideia que à custa de material tão rasco como aquele com que eram feitas as bandeiras, vendidas, se não me falha a memória a 1€ (e o que é um euro para um patriota digno desse epíteto?), não conseguimos alcançar o título. Não admira. Do orgulhoso vermelho da nossa bandeira só restava um rosa frouxo, que nenhum espírito exaltava nem incentivava a dar pontapés na bola com mais garra.&lt;br /&gt;        Passados dois anos, e porque um evento de maior calibre exige manifestações variadas, no dia 20 deste mês, no Estádio Nacional do Jamor, vão construir “a mais bela bandeira do mundo” (mais informações &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.amaisbelabandeiradomundo.com/"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;www.amaisbelabandeiradomundo.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;).  Nesse mesmo site, há um painel onde passam as promessas dos portugueses caso a nossa selecção ganhe o Mundial. Quem tiver paciência para ver um bocadinho, vai encontrar coisas tão absurdas e estupidificantes como “Prometo deixar de fumar”, “Prometo controlar o meu feitio” e “Prometo cantar o hino todos os dias antes de me deitar”.&lt;br /&gt;        E ainda continuamos à espera dos benefícios para Portugal de tanto dinheiro esbanjado no Euro2004.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114773085239259983?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114773085239259983/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114773085239259983' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114773085239259983'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114773085239259983'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/05/heris-do-mar.html' title='Heróis do Mar'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114700508339596533</id><published>2006-05-07T12:29:00.000Z</published><updated>2006-05-07T19:25:38.506Z</updated><title type='text'>"É isso que vocês aprendem na escola"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quem anda nos transportes públicos sabe que se ouve todo o tipo de conversas entre os outros passageiros, desde o jantar para esse dia até ao episódio da novela do dia anterior. Principalmente, num meio pequeno como São Miguel, onde se encontram pessoas conhecidas até na outra ponta da ilha.&lt;br /&gt;Quando outro dia vinha das aulas da universidade, o autocarro vinha a abarrotar até às costuras. Não fosse o facto de ser um veículo ainda novo, pareceria um autocarro do Zimbabué, ou coisa que o valha. Vinham também uns miúdos da escola que não se coibiam de se insultar em voz alta, desde os costumeiros palavrões até aos insultos mais curiosos. Um deles mandou veementemente outro ir fazer determinada coisa, que penso não ser necessário aqui citar porque todos o compreendem. Uma senhora de meia-idade começou a barafustar, a perguntar-lhe se tinha noção de onde se encontrava e atirou-lhe a retórica mais batida que se pode imaginar sobre a educação das crianças: “É isso que vocês aprendem na escola?”. Aliás, minto. O que ela disse foi “É isso que vocês aprendem na iscola?”.&lt;br /&gt;Devo dizer que os putos também me estavam a irritar solenemente, não por estarem a dizer palavrões a torto e a direito, mas porque estavam a fazer uma chiadeira dos diabos. Tinha tido aulas durante o dia inteiro e a minha cabeça ameaçava explodir.&lt;br /&gt;Contudo aquela senhora enervou-me mais ainda. Tal como todos os clichés esse é positivamente ridículo. Digno de quem não pensa pela sua cabeça, limitando-se a repetir uma frase que ouviu outrem citar.&lt;br /&gt;Será que vale a pena rebater uma lógica tão entranhada? Talvez. Fiquei com vontade de responder à senhora que não há uma, mas diversas escolas. Uma delas é a educação que cada um recebe em casa, que apesar de não ser completa, é básica. Sou da opinião que cada um de nós depois a aperfeiçoa, consoante o seu carácter, personalidade e julgamento.&lt;br /&gt;Na escola pública o que se ensina, ou pelo menos o que se tenta, é a falar melhor, a crescer culturalmente, aprender a raciocinar com lógica entre outros conteúdos programáticos.&lt;br /&gt;Também eu aprendi palavrões na escola. E vários. Agora vai uma diferença entre os ter aprendido e andar a dizê-los alto e bom som.&lt;br /&gt;De facto não lhe disse isso, até porque não tinha pachorra para fazê-lo e também porque é uma lógica ainda grande de explicar-lhe.&lt;br /&gt;Talvez lhe devesse ter dito “No tempo de Salazar é que era bom!” mas duvido que ela percebesse o que eu realmente queria dizer com aquilo.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114700508339596533?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114700508339596533/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114700508339596533' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114700508339596533'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114700508339596533'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/05/isso-que-vocs-aprendem-na-escola.html' title='&quot;É isso que vocês aprendem na escola&quot;'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114626042190444090</id><published>2006-04-28T21:36:00.000Z</published><updated>2006-04-28T21:40:21.916Z</updated><title type='text'>Pura Perda de Tempo</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;        &lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sempre ouvi dizer que todas as licenciaturas tinham no seu currículo cadeiras que, para a prática profissional futura, têm pouco ou mesmo nenhum interesse.&lt;br /&gt;        No meu primeiro ano de faculdade, já tive esta frustrante experiência. No meu curso (para os que não sabem, Medicina) consta no currículo do primeiro ano uma cadeira para a qual o meu vocabulário é pobre para exprimir o quanto a odeio. É simplesmente inútil, ridícula e nojenta. A saber, Biofísica e Biomatemática.&lt;br /&gt;        Nas primeiras aulas, apesar de avisada previamente por aqueles que já passaram pelo mesmo, ainda tentei descortinar a aplicabilidade de fórmulas de meio metro à prática clínica ordinária. Rapidamente desisti. Nas aulas introdutórias à cadeira, explicaram que o seu objectivo é a aplicação de conceitos físicos e modelos matemáticos a sistemas biológicos: por exemplo, a medição da pressão arterial, fenómenos de trombos, fenómenos osmóticos.  Devo dizer que as intenções são boas, mas lamentavelmente saem goradas. Os exercícios práticos têm sempre, até ao momento (e caminhamos a passos largos e inexoráveis para o fim do 2º semestre) enunciados sobre conceitos físicos aplicados, adivinhem lá, a sistemas físicos.&lt;br /&gt;        Em toda a minha formação secundária, sempre preferi Química. É absolutamente fantástica e poderei dizer seguramente que a vida é Química. Tenho também que dar o braço a torcer: o nosso corpo também é Física. Mas tenham dó: o actual currículo contempla matéria que se marra para o exame e se esquece logo a seguir. Os apontamentos são raivosamente enviados para a reciclagem quando se ultrapassa a barreira crítica dos 9,5.&lt;br /&gt;        De resto, não é uma cadeira com conhecimentos estruturantes que ficam, de uma maneira ou outra, presentes para a vida profissional, como os conhecimentos anatómicos ou bioquímicos.&lt;br /&gt;        Concluindo, aqui estamos nós a perder horas da nossa já preenchida vida universitária, a estudar uma cadeira cujos conhecimentos, grosso modo, se dispersam na maresia das férias do verão.&lt;br /&gt;        Por outro lado, ainda nos tentam convencer de que Biofísica e Biomatemática são fundamentais para a compreensão de cadeira de Fisiologia.&lt;br /&gt;        Fica sempre bem dizer coisas dessas, mas basta abrir um livro recomendado para o estudo de Fisiologia para perceber que o argumento é falacioso. Os conceitos realmente importantes são novamente retomados e, a bem dizer, leccionados a partir do zero.&lt;br /&gt;        Sejamos realistas. Quando daqui a uns anos me aparecer alguém a dizer: “Ai Sra. Doutora, tenho dores nos rins…” não lhe vou responder “Sabe, é tudo devido à tensão superficial. Vou lhe tirar a Equação de Poiseuille.”&lt;br /&gt;        E quem quiser seguir investigação após a licenciatura, que se aguente à bronca.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114626042190444090?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114626042190444090/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114626042190444090' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114626042190444090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114626042190444090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/04/pura-perda-de-tempo.html' title='Pura Perda de Tempo'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114616888536861696</id><published>2006-04-27T20:12:00.000Z</published><updated>2006-04-27T20:14:45.380Z</updated><title type='text'>Um fantasma com 20 anos</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Sempre que se fala em energia nuclear, pensamos inevitavelmente em Chernobyl, o pior desastre nuclear de sempre, ocorrido há 20 anos na Ucrânia. A explosão do reactor número 4 da central originou uma precipitação radioactiva com um nível de radioactividade 400 vezes superior ao de Hiroxima, obrigou 300 mil pessoas a abandonarem as suas casas e contaminou cerca de 142 mil quilómetros quadrados na Ucrânia, na Bielorrússia e na Rússia.&lt;br /&gt;        30 pessoas morreram devido à explosão e multiplicaram-se os casos de cancro na tiróide, sobretudo em crianças. Bebés nascidos com malformações, atrasos mentais e o medo são o legado de Chernobyl.&lt;br /&gt;        A ameaça é ainda bastante real. Dentro do sarcófago construído por cima dos escombros, a radiação é tão intensa que mata em poucos minutos. As fotografias da cidade de Pripyat, onde se situava a central nuclear, mostram uma desolação enorme. Uma cidade onde reina o silêncio e uma ameaça invisível.&lt;br /&gt;        Numa altura em que se discute tanto a política energética e em que o petróleo atinge preços absurdos, a energia nuclear voltou a estar na ordem do dia. Estima-se que o consumo de electricidade do planeta duplique nos próximos 25 anos e o aquecimento global, provocado pelas emissões de CO2 (dióxido de carbono) é uma questão preocupante, uma questão real, e não um devaneio de ambientalistas.&lt;br /&gt;        Os defensores da energia nuclear afirmam que esta pode salvar o planeta. Mas poderá também ajudar a destruí-lo. Entre os principais problemas, contam-se os acidentes, o armazenamento dos resíduos, os elevados custos de construção das centrais e a utilização do combustível para armas.&lt;br /&gt;        Diz-se que no futuro, os reactores serão mais eficientes, terão capacidade para reciclar combustível usado e diminuir os resíduos. Esperemos para ver.&lt;br /&gt;        Recentemente, José Sócrates lançou o apelo a um “debate racional” sobre a energia nuclear. Concordo: a discussão de ideias é sempre proveitosa. Mas, enquanto não se inventam reactores maravilha, há que investir nas energias alternativas. Tenho orgulho em referir dois bons exemplos regionais. Por um lado, temos a Central Geotérmica que produz alguma, não sei especificar quanta, da energia da região. Por outro, temos o exemplo de uma empresa privada, que utilizando excrementos de porco se tornou auto-suficiente e vende energia à EDA.&lt;br /&gt;        Portugal é um país com potencial energético não rentabilizado. Fomos abençoados com sol e não são construídos painéis solares. As turbinas eólicas são sempre problema devido ao ruído. Mas há semelhança da Dinamarca, creio que um parque eólico no mar seria bastante proveitoso. E isto para não falar de energia das marés, biomassa e hidrogénio.&lt;br /&gt;        Para além da óbvia redução nas emissões de gases com efeito de estufa, o nosso país podia tornar-me mais independente do petróleo, esse senhor, também chamado de ouro negro, que faz mover as guerras.    &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114616888536861696?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114616888536861696/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114616888536861696' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114616888536861696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114616888536861696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/04/um-fantasma-com-20-anos.html' title='Um fantasma com 20 anos'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114595907167784332</id><published>2006-04-25T09:52:00.000Z</published><updated>2006-04-27T20:36:13.176Z</updated><title type='text'>Este nosso Abril</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Num dia em que as figuras políticas do nosso país vão ser entrevistadas e vão repetir banalidades e lugares comuns sobre o 25 de Abril, como quem expõe uma lição há muito estudada e ensaiada ao espelho, penso que ficaria mal deixar passar em branco esta data tão relevante aqui no meu blog, até porque, antes de mais, é um feriado! Claro que há sempre quem prime pela originalidade: sempre bombástico e pouco diplomático, Alberto João Jardim afirmou que não vai comemorar o 25 de Abril. É um direito: é a liberdade de não comemorar o dia da liberdade…&lt;br /&gt;Mas deixemo-nos de jogos de palavras. Ao pensar no texto para hoje ainda ponderei em colocar “A Trova do Vento que Passa” de Manuel Alegre ou um poema de Ary dos Santos. Contudo, e inspirada no exemplo irreverente do político madeirense, decidi por uma abordagem diferente: uma polémica literária.&lt;br /&gt;Quem andou com atenção às notícias nos últimos tempos, ouviu falar que a escritora Margarida Rebelo Pinto e a sua editora, a Oficina do Livro, interpuseram uma providência cautelar, com o intuito de impedir a publicação do livro crítico de João Pedro George - &lt;em&gt;Couves e Alforrecas – Os segredos da escrita de Margarida Rebelo Pinto&lt;/em&gt;. De facto, o referido senhor, respondendo ao queixume da autora por ser sistemática e insistentemente ignorada pela crítica literária, decidiu “dissecar-lhe” os 8 livros publicados. O resultado foi um livro que a escritora e a editora consideram “lesivo dos direitos de personalidade, de autor e de propriedade industrial da autora”. A editora chegou a pedir que os exemplares do texto crítico fossem entregues no seu armazém.&lt;br /&gt;Ao que parece, o livro não foi considerado ofensivo à pessoa da escritora. E o argumento de que o crítico se estava a aproveitar do nome da escritora para ganha dinheiro também não me parece muito válido, uma vez que João Pedro George, para além de ser docente universitário, é um dos críticos literários mais respeitados da praça portuguesa.&lt;br /&gt;Grosso modo, o crítico refere que Margarida Rebelo Pinto, ao longo das suas obras, se auto-plagia, repete frases com sentido semelhante e comente erros ortográficos. Os temas são recorrentes e os desfechos previsíveis. Como qualquer livro light que se preze, acrescento eu.&lt;br /&gt;Quem anda a choramingar e a dizer que por ser a escritora que mais vende em Portugal não compreende porque é que a crítica não lhe liga, como uma criança embirrenta que só porque comeu a sopa acha que pode fazer tudo o que lhe apetece, acho muito estranho que esteja muito aborrecida só porque a crítica não lhe é favorável. Provavelmente, alguém não lhe explicou as regras do jogo: a liberdade de expressão tanto dá para a crítica favorável como para a crítica desfavorável. Vicissitudes do sistema… É o melhor que temos apesar de não ser perfeito. E depois, isto tudo serviu só para fazer publicidade gratuita de &lt;em&gt;Couves e Alforrecas&lt;/em&gt;. Uma atitude mais indiferente não teria despertado tanta curiosidade.&lt;br /&gt;Não pretendo com isto querer dizer que a autora não tem o direito de expressar a sua indignação e recorrer aos tribunais. Mas será que ela respeita a liberdade de expressão do crítico? Ou melhor, qual é a fronteira entre a liberdade de um e a de outro? E qual das duas deve prevalecer?&lt;br /&gt;Só vem isto mostrar que “as portas que Abril abriu” ainda mantêm frestas duvidosas, não estando completamente escancaradas e que a total realização da liberdade, como valor fundamental e primordial, talvez seja uma expectativa utópica.&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114595907167784332?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114595907167784332/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114595907167784332' title='6 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114595907167784332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114595907167784332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/04/este-nosso-abril.html' title='Este nosso Abril'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114547896137955032</id><published>2006-04-19T20:34:00.000Z</published><updated>2006-04-19T20:37:55.380Z</updated><title type='text'>Entre a Ficção e a Realidade</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Perdoar-me-ão os meus leitores por voltar ao mesmo assunto, mas tenho forçosamente que o fazer. A culpa caberá talvez à TVI que ainda não se fartou de explorar escandalosamente a morte do jovem actor Francisco Adam, seguindo a velha máxima televisiva de que o apelo à emoção faz aumentar audiências. Ou quem sabe a culpa será das ridículas mensagens escritas de telemóvel apelando a que se vista uma peça de cor laranja e que se reenvie aos contactos, em homenagem do supracitado actor. Enfim, coisas de quem tem mensagens escritas gratuitas e não sabe o que fazer com elas… (perdoem-me os aderentes às mensagens em cadeia). Seja como for, vejo-me obrigada a voltar a tal lamentável assunto por uma razão muito simples: numa reunião de amigos contaram-me que uma adolescente tinha sido entrevistada e solicitada a dar o seu comentário acerca da morte do rapaz. Ao que parece, porque, infelizmente, não o vi embora confie inteiramente na fonte, a adolescente respondeu que tinha pena porque queria saber como a relação entre o “Dino” e da “Susana” ia terminar. Para os desconhecedores da série, o “Dino” é a personagem interpretada pelo actor falecido e a “Susana” é uma personagem com a qual o rapaz mantinha uma relação de amor-ódio.&lt;br /&gt;Segundo o meu ponto de vista, o comentário da rapariga só pode ser interpretado de duas formas: ou é completamente insensível, não lamentando a perda da vida do jovem, ou é pouco inteligente e não sabe distinguir a realidade da ficção. Prefiro apostar na segunda hipótese, dado que entre a falta de sentimentos humanos ou a estupidez, eu prefiro a estupidez. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Quando se trata de uma criança de 4 anos que diz à mãe que o “Dino” não pode ter morrido porque aparece na televisão, tal como li num artigo de jornal, a confusão é compreensível, se bem que não percebo porque é que uma criança dessa idade veja “Morangos com Açúcar” e não “Rua Sésamo”, que era o que eu via, mas isso é outro assunto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A questão é que é deveras preocupante que uma adolescente não consiga perceber a diferença entre um actor (pessoa) e uma personagem (papel). Mas pelos vistos, isso parece ser um fenómeno tristemente comum. Alguns actores referem que quando interpretam papéis de vilão em alguma série ou telenovela, são por vezes abordados na rua e insultados por tentarem afastar um casal romântico ou por terem morto uma personagem querida.&lt;br /&gt;Mas, na verdade, quem os pode julgar? É muito mais agradável viver alienado numa ficção em que os bonzinhos acabam sempre bem, os apaixonados sempre juntos e os maus na miséria, presos ou mortos, do que numa realidade em que se fala do aquecimento global do planeta, no enriquecimento do urânio e na formação de 40 000 kamikazes no Irão.&lt;br /&gt;Até a minha irmã de 9 anos percebe a diferença entre uma novela e a vida real. Por ser uma criança facilmente impressionável, costumamos fazer-lhe ver que as cenas desagradáveis nas novelas não passam de encenações. Por isso, quando uma personagem morre ela comenta friamente “É tudo a fingir” ao passo que ficou com problemas para adormecer quando se deu o atentado em Londres.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114547896137955032?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114547896137955032/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114547896137955032' title='7 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114547896137955032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114547896137955032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/04/entre-fico-e-realidade.html' title='Entre a Ficção e a Realidade'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114522180468649699</id><published>2006-04-16T21:07:00.000Z</published><updated>2006-04-16T21:10:04.700Z</updated><title type='text'>"Morrer é a curva da estrada"</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O quadro já é recorrente: uma época festiva, uma “Operação” qualquer coisa, acidentes, estatísticas, feridos ligeiros, feridos graves, mortos.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Até ao momento, a “Operação Páscoa”, com a intervenção de 1100 patrulhas nas estradas portuguesas sob a jurisdição da GNR, conta 7 mortos. Um deles era Francisco Adam, um jovem de 22 anos, actor que encarnava a personagem Dino da série “Morangos com Açúcar”. A sua morte, tal como todas as outras, é lamentável. O facto de ser uma cara conhecida não nos pode fazer esquecer que ele foi apenas mais um dos inúmeros que já perderam a vida nas estradas, ou daqueles que ficaram incapacitados, o que, grosso modo, pode corresponder à mesma coisa. Quero com isto dizer que a sua morte não deve, na minha modesta opinião, ser encarada de uma forma individualista, mas, em virtude da sua mediatização, deve ser o símbolo de todos os incógnitos que morrem em acidentes rodoviários.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Os acidentes que ensombram as estradas portuguesas são um grave problema. E a que se devem? Ao excesso de álcool, ao excesso de velocidade, à não utilização do cinto de segurança, ao consumo de drogas, mas antes de mais à maldita mentalidade do “acontece aos outros, não a mim”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Policiamento, multas, vigilância electrónica podem ser atenuantes, mas a mudança de atitudes passa por cada um de nós. E ao batido argumento de que os acidentes envolvem também quem não comete infracções, respondo que se cada um fizesse a sua parte a situação melhorava. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Prefiro pensar que a morte do actor tenha impacto nas camadas jovens e que contribua, de algum modo, para que estes se tornem condutores responsáveis. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Fernando Pessoa escreveu: “Morrer é a curva da estrada”. Para quantos o sentido literal desta frase já não foi verdade?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114522180468649699?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114522180468649699/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114522180468649699' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114522180468649699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114522180468649699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/04/morrer-curva-da-estrada.html' title='&quot;Morrer é a curva da estrada&quot;'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114441737477466830</id><published>2006-04-07T13:41:00.000Z</published><updated>2006-04-07T13:44:17.373Z</updated><title type='text'>Dia Mundial da Saúde</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Hoje comemora-se o Dia Mundial da Saúde, criado a 7 de Abril de 1948 pela Organização Mundial de Saúde.&lt;br /&gt;A saúde é actualmente um tópico que preocupa a sociedade em geral, como facilmente nos apercebemos todos os dias, nem que seja ao ouvir falar da gripe das aves e do vírus H5N1. Por todo o mundo são feitos estudos e investigações que visam curar situações patológicas mais ou menos graves, desde o desenvolvimento de novos fármacos para as cefaleias (vulgo dor de cabeça) até, por exemplo, investigações para uma vacina contra a SIDA.&lt;br /&gt;Como estudante de Medicina, considero que a saúde é um bem fundamental, devendo todos os esforços serem coordenados para a sua promoção, conservação e melhoria.&lt;br /&gt;Fiquei portanto indignada ao saber de uma situação que vos passo a descrever.&lt;br /&gt;Foi recentemente desenvolvida uma vacina pelos laboratórios Merck e GlaxoSmithKline que parece reduzir drasticamente os casos de cancro cervical, causados pelo Papillomavírus Humano. O cancro cervical, ou cancro do colo do útero (porção inferior do útero), é o segundo cancro do aparelho reprodutor feminino que mais mulheres afecta. O seu risco parece aumentar à medida que diminui a idade em que a mulher teve a sua primeira relação sexual e também aumenta quanto maior é o número de parceiros sexuais. É um cancro que pode ser provocado pelo Papillomavírus Humano, o qual se transmite através das relações sexuais.&lt;br /&gt;Ora nos Estados Unidos da América, os conservadores religiosos defendem que a inclusão da referida vacina no plano de vacinações americano seria um incentivo à sexualidade entre os adolescentes. Alguns chegam mesmo a admitir que teriam a mesma posição em relação a uma vacina contra a SIDA…&lt;br /&gt;É interessante como piedosos cristãos parecem ser tão inclementes relativamente a um paciente com qualquer uma destas doenças, só porque era, supostamente, um promíscuo sexual. Analisando a questão de uma perspectiva diferente, um estado democrático é laico, e como tal não se deve imiscuir com questões de moral cristã.&lt;br /&gt;Em suma, nos EUA, a saúde parece estar mais dependente das concepções religiosas dos dirigentes políticos do que dos avanços científicos da Medicina.&lt;br /&gt;Estamos a falar de vidas que podem ser poupadas. Para um país que se diz tão avançado, as mentalidades dos que estão no governo parecem situar-se nos primórdios da Idade Média.&lt;br /&gt;Termino este post com a amarga ideia de que os cientistas ainda são muitas vezes vistos pelos conservadores religiosos como diabólicos. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;(dedico este post a todos os estudantes de Medicina da Universidade dos Açores)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114441737477466830?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114441737477466830/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114441737477466830' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114441737477466830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114441737477466830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/04/dia-mundial-da-sade.html' title='Dia Mundial da Saúde'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114365604903016709</id><published>2006-03-29T18:12:00.000Z</published><updated>2006-03-29T18:15:08.110Z</updated><title type='text'>Bailado Cósmico</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Do alto do seu majestoso trono, Deus observa, com não disfarçado orgulho, a dança ritmada e bem coordenada dos astros. Foi Ele quem criou a coreografia e ensaiou os bailarinos. Agora repousa e assiste ao espectáculo da sua autoria. Se o criou para seu próprio entretenimento ou para gáudio de outros, não o podemos dizer. Mas o seu sorriso e o bater ritmado do seu pé, mostra que o bailado prossegue de forma perfeita e ao compasso que ele idealizou, durante aqueles longos momentos de solidão em que os seus bailarinos não passavam de pedaços inarticulados de matéria. Por longos tempos meditou e explicou o seu projecto aos Anjos. Estes entreolhavam-se, interrogando-se quem seriam os bailarinos. Sim, porque eles são os membros da orquestra: harpas, violinos, trombetas. E então, Deus tirou de dentro da sua túnica um ponto de densidade infinita e fazendo-o explodir criou a matéria, a energia e o tempo.&lt;br /&gt;Não nos afastemos do espectáculo: é uma dança complexa, em que os intervenientes são díspares. Por requintes de artista, Deus decidiu que os astros cintilantes ficam ao centro enquanto os bailarinos menores rodam à volta das estrelas e à volta de si próprios. À volta de alguns destes bailarinos menores, vulgo planetas, Deus colocou ainda outros mais pequenos, os satélites. E como se ainda não bastasse, irrompem entre esta sucessão hierárquica os cometas.&lt;br /&gt;Mas chegamos a uma parte peculiar do espectáculo, e Deus endireita-se no trono para melhor apreciar. É um momento relativamente raro, projectado cuidadosamente. É o momento em que o satélite Lua se interpõe entre a estrela Sol e o planeta Terra. Como resultado, o brilho do Sol, que Deus sabe ser tão amado na Terra, é momentaneamente cortado ou reduzido: dá-se o eclipse solar. Os passos saíram executados na perfeição e Deus não se pode coibir de aplaudir de pé, não obstante os olhares reprovadores dos Anjos.&lt;br /&gt;Volta a sentar-se e a dança prossegue constante e imutável, coordenada e perfeita. Abstraindo-se um pouco do espectáculo, Deus sorri para si próprio e pensa nos Homens, que por números e leis de Astrofísica conseguiram desvendar grande parte do seu bailado, calculando com precisão quando é que aqueles momentos do eclipse ocorrem, e onde é possível observá-lo melhor da Terra.&lt;br /&gt;Sentir-se-á aborrecido com isso? Diríamos que não. Afinal o Universo é infinito e portanto Deus pensa que o conhecimento total daquilo que não acaba é uma pretensão que vai contra as leis elementares da lógica. E é com enorme gozo que recorda o rosto atónito do Anjos quando lhes mostrou o ponto de densidade infinita que explodiu e o rosto dos Homens quando se aperceberam da formação do Universo a partir daquilo que decidiram chamar por “Big Bang”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114365604903016709?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114365604903016709/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114365604903016709' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114365604903016709'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114365604903016709'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/03/bailado-csmico.html' title='Bailado Cósmico'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114338716445802056</id><published>2006-03-26T15:27:00.000Z</published><updated>2006-03-26T15:35:07.726Z</updated><title type='text'>Hábitos de Leitura</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Está hoje na página do Sapo (&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.sapo.pt/"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;www.sapo.pt&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;) um inquérito sobre os hábitos de leitura dos portugueses. A pergunta é “Leu algum livro o mês passado?”. No momento em que escrevo este post, as votações iam a 60% de respostas negativas (3840 dos inquiridos) e 40% de respostas afirmativas (2550 dos inquiridos).&lt;br /&gt;Este inquérito, apesar de informal, só vem demonstrar aquilo que já todos sabemos: que em Portugal se lê pouco. Por outro lado, o preço dos livros, mesmo em promoções e feiras, não é acessível à bolsa da maioria das pessoas. Grande parte dos livros rodam os 20€ e como é óbvio, gastar a referida soma no referido produto é para muita gente um desperdício de dinheiro. Contudo, na minha opinião, o facto de se ler pouco no nosso país extravasa os motivos económicos. É uma questão de mentalidade e de aprendizagem.&lt;br /&gt;Considero-me uma pessoa que, relativamente à média, lê bastante. No verão, se saio sozinha para a praia faço-me sempre acompanhar por um livro, leio antes de adormecer e se estou em casa sem nada de urgente para fazer. No verão passado lembro-me de estar na praia e reparar num grupo de miúdas à distância de uns metros de mim que me observavam curiosas enquanto eu lia O Evangelho Segundo Jesus Cristo. Também noutra ocasião estava na praia deitada naquele estado semi-consciente, que antecede uma soneca, e ouvi uma mulher comentar com as amigas que gostava de gostar de ler, mas que não tinha paciência…&lt;br /&gt;E porque gosto eu de ler? Porque me incutiram o gosto quando na infância estava receptiva a este tipo de aprendizagem. Ofereciam-me livros, via os meus pais a ler e ensinaram-me que ler enriquece o leitor.&lt;br /&gt;Na escola, os professores tentam despertar o gosto pela leitura, nomeadamente através de um trabalho no âmbito da disciplina de Língua Portuguesa, a que chamam “Leitura Recreativa” e que consiste na selecção, leitura e apresentação de um livro. Pelo menos quando eu andava no 5º e 6º ano era assim.&lt;br /&gt;É um facto que os livros são dispendiosos. Mas para quem tem possibilidade de os comprar, um livro é um bom investimento: é um investimento na cultura geral, no conhecimento da língua e no crescimento da própria pessoa. Para quem não os pode comprar existem as Bibliotecas Públicas e os livros emprestados pelos amigos e conhecidos. Se bem que reconheço que se estabelecem relações especiais com alguns livros, o que nos faz quer ter um só nosso.&lt;br /&gt;Para os interessados, aqui está uma breve lista de livros que me marcaram e que recomendo vivamente:&lt;br /&gt;· A Sombra do Vento (Carlos Ruiz Záfon)&lt;br /&gt;· Cem Anos de Solidão (Gabriel Garcia Marquez)&lt;br /&gt;· O Retrato de Dorian Gray (Oscar Wilde)&lt;br /&gt;· Equador (Miguel Sousa Tavares)&lt;br /&gt;· A Filha do Capitão (José Rodrigues dos Santos)&lt;br /&gt;· Código da Vinci (Dan Brown)&lt;br /&gt;· O Nome da Rosa (Umberto Eco)&lt;br /&gt;· 1984 (George Orwell)&lt;br /&gt;· O Senhor dos Anéis (J. R. R. Tolkien)&lt;br /&gt;· A Trança de Inês (Rosa Lobato de Faria)&lt;br /&gt;· O Crime do Padre Amaro (Eça de Queiroz)&lt;br /&gt;· As Intermitências da Morte (José Saramago)&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114338716445802056?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114338716445802056/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114338716445802056' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114338716445802056'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114338716445802056'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/03/hbitos-de-leitura.html' title='Hábitos de Leitura'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114315098629269568</id><published>2006-03-23T20:32:00.000-01:00</published><updated>2006-03-23T21:30:43.706-01:00</updated><title type='text'>Memórias</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Foi com enorme tristeza que tomei conhecimento do programa televisivo "Circo das Celebridades". Mal começou o genérico, tratei de mudar rapidamente de canal... não pelo facto de não gostar de circos. Na verdade, quando era criança adorava-os e ainda continuam a exercer em mim um certo fascínio. A vida errante, os animais perigosos, as lantejoulas brilhantes, as bailarinhas que desafiam as leis da Física. Mudei de canal porque tenho a certeza que este circo tem palhaços a mais. E depois porque animais domesticados só mesmo burros... com o devido respeito aos comediantes e aos dóceis animais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi escrever este post para mostrar aos meus leitores como desde há um ano e picos a televisão em Portugal tem mudado muito pouco. E sendo a televisão o reflexo daquilo que o povo gosta, consequentemente escrevo este post com a triste certeza de que a sociedade continua a mesma: fútil, inculta e alienada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passo a explicar: os meus primeiros passos na blogesfera foram dados a propósito de um reality-show. Um querido amigo publicou um texto meu no seu blog (&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.acerbo.blogspot.com"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;www.acerbo.blogspot.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;), no dia 28 de Novembro de 2004. Para mostrar o ciclo vicioso em que a televisão em Portugal parece mergulhada, aqui está o texto: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Mediocridades Elevadas à 5ª&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que alguns começavam a respirar de alívio pelo facto da televisão portuguesa estar, aparentemente, descontaminada, surge uma nova agressão: o reality-show “Quinta das Celebridades”, a nova aposta da TVI na poluição televisiva.&lt;br /&gt;De formato sueco e experimentado em França, Itália, Alemanha, Espanha e EUA (onde era visto por uma média de 8 milhões de espectadores), “Quinta das Celebridades” foi agora adaptado a Portugal. Neste novo concurso pretende-se que 12 concorrentes, as supostas celebridades, fiquem confinados dentro de uma herdade durante 3 meses, sujeitando-se a viver, grosso modo, segundo os moldes do final do século XIX. Como seria de esperar, não falta o toque orwelliano, o que significa que para além de estarem privadas de muitos confortos, as celebridades estão a ser vigiadas 24 horas por dia. Mas nem tudo são desvantagens. Para obter um bom elenco na “Novela da Vida Rural”, a Endemol dispôs-se a pagar regiamente: entre 5 mil e 25 mil euros semanais, consoante a celebridade.&lt;br /&gt;Agora vejamos: se existem pessoas no mundo que são obrigadas a subsistir com apenas 2 euros diários, será justo que pseudo-estrelas recebam contas exorbitantes lá por estarem a mungir vacas e plantar couves para um país inteiro ver?&lt;br /&gt;Por outro lado, o próprio nome do programa induz num grave erro. De facto, serão os concorrentes verdadeiras vedetas, personalidades com obra feita ou pessoas que alcançaram alguma notoriedade por motivos um pouco dúbios? Celebridades porque foram acusadas de tráfico de jóias, ofereceram um espectáculo deprimente de pontapés durante um jogo de futebol, protagonizaram filmes pornográficos ou apresentaram um programa televisivo nuas? Na minha opinião, só o facto destas pessoas serem consideradas célebres mostra quão baixo é o nível cultural da nossa sociedade. Não é celebridade aquele que se destaca nos campos literários, da música ou da política, mas sim aqueles que fazem as delícias das massas, são veteranos nas revistas “cor-de-rosa” ou já surgiram por entre as luzes da ribalta social.&lt;br /&gt;Na minha óptica, é a atracção irresistível pelo exibicionismo, pelo “show off”, que leva estas celebridades decadentes a venderem a sua privacidade. É também impressionante a sua futilidade: que dizer de uma pessoa que perde meia hora do seu dia a filosofar se veste Armani ou Channel?&lt;br /&gt;Apesar de tudo, é esse género de programas que ganha a guerra das audiências. Foi com “Quinta das Celebridades” que a TVI conseguiu pôr termo à liderança da SIC, liderança essa que já se arrastava há sete meses consecutivos. Em termos éticos, este facto levanta-nos outra questão. Apesar de os concorrentes não serem obrigados a participar, ao assinarem o contrato estão a tornar-se fantoches numa farsa improvisada e medíocre. Basta ver o que sucedeu a Zé Maria, vencedor da primeira edição de “Big Brother”, que sofre agora de graves perturbações, as quais, inclusive, já o levaram à beira do suicídio.&lt;br /&gt;Quando o porta-voz da TVI afirmou: “Acreditamos (…) no gosto que os portugueses têm neste género de programas.” - sabia decerto que “Quinta das Celebridades” seria um sucesso. De facto, a maioria dos portugueses, com todos os problemas que o país e o mundo atravessam, parece estar apenas interessada em conhecer os pormenores sórdidos da vida quotidiana dos concorrentes e prefere viver nesta doce alienação.&lt;br /&gt;Enfim, “não sei se diga, não sei se faça, não sei se pense”.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114315098629269568?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114315098629269568/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114315098629269568' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114315098629269568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114315098629269568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/03/memrias.html' title='Memórias'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114129940495853765</id><published>2006-03-02T10:15:00.000-01:00</published><updated>2006-03-02T10:36:44.966-01:00</updated><title type='text'>Déjà vu</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;O Jornal dos Açores de ontem dava conta de mais um caso de abuso sexual de menores nos Açores. Uma história típica: uma família sem posses, um benfeitor rico a fazer visitas frequentes, os três filhos da família a terem nas mãos mais dinheiro do que a família lhes poderia proporcionar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Desta vez não foi na Lagoa. Muda-se o palco de tão abjecta representação para Vila Franca do Campo.&lt;br /&gt;O suposto abusador, que, juntamente com duas mulheres da família responsáveis pelos menores, já foi detido e vai ser presente ao Juiz de Instrução, é um médico de Lisboa, que sob o pretexto de ir assistir a congressos, e desde há um ano e meio, fazia frequentes visitas à família. Quem conhece S. Miguel não pode deixar de achar estranho que um médico que venha participar num congresso fique hospedado, não num hotel no centro de Ponta Delgada, mas sim numa casa em Vila Franca. Uma viagem de automóvel de Vila Franca a Ponta Delgada leva ainda algum tempo… a menos que o referido concelho acolha muitos congressos médicos, o que não me parece ser o caso.&lt;br /&gt;Por outro lado, consta que os três menores, a partir de determinada altura, passaram a ir visitar o médico a Lisboa, não sendo excluída a hipótese de haver um rede de pedofilia, à qual se fossem juntar.&lt;br /&gt;Sempre que histórias deste género aparecem na comunicação social, não posso deixar de me sentir profundamente enojada. Se o médico é realmente pedófilo, as suas acções são altamente condenáveis. Mas, e a mãe dos três menores, também não será culpada, ao compactuar silenciosamente com os abusos? Não será culpada por aceitar dinheiro em troca dos abusos sexuais de que os filhos eram, supostamente, vítimas? A minha opinião é que, tal como no badalado caso da “Garagem do Farfalha”, toda esta situação tem grotescas semelhanças com a prostituição: receber dinheiro em troca de favores sexuais.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;Numa palavra: degradante.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114129940495853765?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114129940495853765/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114129940495853765' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114129940495853765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114129940495853765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/03/dj-vu.html' title='Déjà vu'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-23226853.post-114122847370935404</id><published>2006-03-01T14:47:00.000-01:00</published><updated>2006-03-29T18:17:06.630Z</updated><title type='text'>Bú!</title><content type='html'>&lt;div align="justify"&gt;&lt;span style="font-family:trebuchet ms;"&gt;A experiência pessoal ensinou-me que aquele sentimento a que comummente chamamos inveja, o qual outros preferem catalogar como pecado mortal, pode assumir dois aspectos. Um deles é como um cancro que cresce insidiosa e silenciosamente corroendo a vítima, sugando-a segundo a segundo. Conduz inexoravelmente à maledicência e alimenta-se da ganância da própria vítima. É a forma mais maligna.&lt;br /&gt;A outra é como uma criança traquina que sai detrás de um esconderijo e nos surpreende, dando uma gargalhada de puro gozo à custa da grotesca cara que a sua vitima fez. Serve para nos colocar à prova, para fazer-nos questionar o nosso modo de estar na vida, as nossas concepções, os nossos ideais.&lt;br /&gt;Enquanto, dias atrás, andava na Baixa de Ponta Delgada à procura de uns sapatos de cerimónia, a inveja brincalhona meteu-se no meu caminho. Aproveitou-se, só encontro esta explicação, do facto de os meus nervos estarem em frangalhos por ter entrado em tanta sapataria, por ter repetido tanta vez que “calço 37” e por ter ouvido vários clichés como “este sapato faz uma toilette muito elegante”.&lt;br /&gt;Quando por fim encontrei os sapatos ideais, ou pelo menos os que achei que me ficavam melhor, decidi voltar para casa e foi então que ela me fez “Bú!!!”. Na Avenida Marginal, enquanto caminhava e resmungava interiormente contra uma tarde perdida, voltei a cabeça, não sei porque instinto, para uma esplanada virada para o mar e reparei num homem jovem e de bom porte que lia descontraidamente o Equador diante de uma chávena de café.&lt;br /&gt;A leitora que há em mim sabe perfeitamente que poucas coisas se assemelham ao prazer de ler um bom livro. E se a isso lhe juntarmos um lindo de dia de Inverno com sol e vento nas doses certas, então é mais do que um prazer: é um momento de felicidade.&lt;br /&gt;Senti-me amargurada por ter passado uma tarde à procura de uns sapatos caros e com um salto assassino, que na melhor das hipóteses só me farão os pés num oito (as piores perspectivas são ir fazer uma visita ao Serviço de Ortopedia do Hospital), em vez de ter aproveitado a doçura inconstante do caprichoso clima açoriano. Daquele homem incógnito, do qual já nem recordo o rosto, invejei o momento em que saiu de casa com o livro debaixo do braço para ir ler. Invejei o mar de um azul indefinível que se estendia à sua frente. Invejei o vento que lhe folheava as páginas. Invejei o sol tímido que encarava o título da obra como um desafio à intensidade dos seus raios.&lt;br /&gt;Porque me ensinaram em criança que a inveja é uma coisa feia, se anos depois venho a descobrir que nem sempre é assim? Parece ser esse um dos pilares da pedagogia: simplificar as coisas na infância à espera que a verdade desabroche com a maturidade. A inveja que hoje me saltou à frente não era feia nem era má. Não deu uma gargalhada desconcertante nem desapareceu depois. Pelo contrário: sorriu-me e acompanhou-me no meu caminho, fazendo-me ver que só de mim depende aproveitar os pequenos prazeres diários, juntar todos os retalhos e fazer uma manta quente e colorida de felicidade e bem-estar. Que está nas minhas mãos passar uma tarde gloriosa a comprar um par de sapatos que usarei apenas uma vez e a aborrecer-me ou a ter momentos de prazer cálido. E ao deixar-me à porta de casa disse-me, piscando o olho, que num dia distante de sol e vento também tinha surpreendido o homem da esplanada.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/23226853-114122847370935404?l=almeidacarolina.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/feeds/114122847370935404/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=23226853&amp;postID=114122847370935404' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114122847370935404'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/23226853/posts/default/114122847370935404'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://almeidacarolina.blogspot.com/2006/03/b.html' title='Bú!'/><author><name>Carolina Almeida</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00421426960513635196</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry></feed>
